Famílias foram levadas para um ginásio de esportes
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sexta-feira, 04 de setembro de 1998
Luciane Tonon 
Essa árvore é o único abrigo que tenho agora, mas vou dar um jeito. O desabafo, no final da tarde de ontem, foi feito pelo sem-terra Moacir Rodrigues Daniel, 58 anos. Ele e a mulher, Maria Aparecida, foram retirados do acampamento da Fazenda Cachoeira e deixados em uma estrada rural, sob uma árvore. Ali ajeitavam, antes de escurecer, os pertences da família para passar a noite.
Como Moacir e Aparecida, Salú de Souza, 74 anos, nove filhos, também se desesperava no Ginásio de Esportes de Sapopema. O pouco que tinha perdi, reclamava. Ela deixou no acampamento uma mula e uma égua.
Nem o MST apresentou alguma perspectiva de solução para nós, queixou-se, também no Ginásio de Esportes, Moacir Biscaia, 50 anos. Ele tem 10 filhos. Passamos o dia jogados na estrada. Até agora ninguém prometeu nada.
Luciana Silveira, mulher de um dos acampados presos, reclamava que o marido havia sido preso porque um vizinho esqueceu a arma no barraco do casal.


