Os caminhões nem terminam de estacionar para despejar o entulho na pedreira e os catadores de lixo reciclável já se aproximam para separar o material. A rotina árdua de 27 famílias, que chegam ao local por volta das 7 horas e só saem às 18 horas, quando os portões são fechados, pode ser alterada no final de fevereiro com a ameaça de fechamento da pedreira.
  Preocupados com a situação, eles aguardam a decisão dos responsáveis e continuam trabalhando. Separam plásticos, madeira, tijolos, metais e outros materiais que são vendidos para reciclagem.
  Pelo trabalho, a catadora Ivone Rosalina de Almeida e o marido, João Carlos da Silva, moradores do Cinco Conjuntos (Zona Norte), recebem em média R$ 180 a R$ 200 por semana. O dinheiro vai para o sustento da casa e das filhas de 12 e 15 anos. ‘‘Fazendo economia, dá para pagar as contas da casa e colocar comida no prato’’, afirma a catadora, que se preocupa com o fechamento do local.
  ‘‘Se fechar não teremos mais onde trabalhar. Na rua, catando papel, não dá. Não tem mais lixo porque outros catadores recolhem. Não sei o que vamos fazer. Meu marido não tem profissão e nem estudo’’. A incerteza vem no questionamento que ela faz à reportagem: ‘‘Será que vai fechar mesmo?’’.
  A mesma incerteza tem um dos catadores mais velhos do local. Sebastião Gonçalves, seo Tião, como é conhecido, está na pedreira há dez anos. ‘‘Da boca deles (donos da área) não ouvimos nada. Só umas conversas por aí. Se tiver outro lugar para colocar o lixo, vamos fazer a coleta lá. temos que ir atrás onde tiver trabalho’’. Com os R$ 120 ou R$ 150 que recebe por semana no local, seo Tião sustenta a mulher doente e duas filhas.
  Desempregado, Joel Silveira Mendes conta que o fechamento da pedreira pode prejudicar a construção de sua casa, no Jardim Monte Cristo. ‘‘Estou terminando a casa só com material que eu recolhi aqui. Se fosse comprar, não conseguiria. Se isso aqui fechar, fico sem terminar a casa’’.
  O operador de esteira, David Beraldo, que trabalha na Atel há um ano e meio, também se preocupa. Ele é responsável por enterrar o entulho que sobra na pedreira. ‘‘Se fechar, acabou tudo. Ficar desempregado não vai ser fácil’’. (M.O.)

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