Passado um mês (completado ontem) da morte de quatro garotas, presumivelmente por afogamento, em uma piscina de Cascavel, familiares estão exigindo da Polícia conclusões para o caso, com a apresentação de laudos que devem ser expedidos pela Seção Toxicológica do Instituto de Criminalística do Paraná, em Curitiba. Os laudos devem indicar se em amostras de sangue colhidas das meninas havia a presença de alguma substância tóxica que pudesse ter levado às mortes.
Segundo o delegado Nobuo Nagasse, da 15ª Subdivisão Policial, que preside o inquérito, o instituto informou que ‘‘problemas em equipamentos’’ estão atrasando os exames. ‘‘Não nos deram prazo para o envio dos resultados’’, observou. A Folha fez contato ontem com a Seção de Toxicologia, cujos responsáveis disseram não poder dar qualquer informação, e indicaram o diretor do instituto, Francisco Morais Silva, que não foi encontrado nem retornou ao recado.
Os corpos de Caroline Biaggi e Franciele Santos, ambas de 12 anos, e Juliana da Silva e sua prima Jaqueline da Silva, ambas de 13 anos, foram encontrados boiando em uma piscina no bairro Claudete (zona norte), onde os proprietários, o casal Aires Pereira, 60 anos, e Lídia Pereira, 56, cobravam R$ 2,00 de cada frequentador. Segundo Lídia, que estava em casa (nos fundos do terreno), as garotas estavam sozinhas na piscina. Ela afirma que não ouviu nem viu nada.
As adolescentes sabiam nadar razoavelmente, e os pais não se conformam com as mortes terem ocorrido ao mesmo tempo, sem nenhuma reação ou sem que qualquer uma delas tivesse se salvado. Cauteloso, o delegado Nobuo Nagasse afirma não haver no inquérito indicativo de que elas tenham usado (ou sido induzidas a usar) alguma substância tóxica em volume fatal, mas mesmo assim os exames de sangue foram requisitados ‘‘para que todas as possibilidades sejam consideradas’’.
O delegado Nobuo Nagasse, por enquanto, mantém a versão do Instituto Médico Legal de Cascavel, de afogamento, mas, se os laudos ‘‘indicarem alguma coisa diferente’’, as investigações passarão a considerar a possibilidade de outras pessoas terem tido contato com as garotas na piscina, ou antes delas chegarem ao local, e que pudessem tê-las induzido a usar algum tipo de substância ‘‘em quantidade que pudesse ter provocado as mortes’’.
Florisvaldo da Silva e Orestes da Silva, pais respectivamente de Juliana e Jaqueline, estiveram ontem na 15ª SDP, manifestando revolta com a demora na conclusão do caso. ‘‘Estão nos enrolando, e exigimos a verdade’’, disse Orestes. Florisvaldo esteve na Seção de Toxicologia na semana passada. ‘‘Nos mandam de um lado para outro, e ninguém diz nada’’, reclamou. Segundo ele, exame de sangue ‘‘só mostra cocaína e pinga, e isso as meninas nunca usaram’’.
Segundo Florisvaldo, para que os exames fossem completos, deveriam ter sido enviadas amostras de vísceras dos corpos, ‘‘mas isso não foi feito’’, por isso pensa em pedir a exumação. Os pais de Eva e de Franciele, respectivamente Valdecir Biaggi e Francisco dos Santos, também asseguram que as filhas nunca usaram drogas, e exigem explicações definitivas. No dia 5 de março, as garotas faltaram à aula no Colégio Polivalente para ir à piscina, sem que os pais soubessem.

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