Famílias estão felizes com relocação
A casa do ex-agricultor e operário desempregado Hamilton Machado, 48 anos, está prensada pela construção do Contorno Leste, em São José dos Pinhais. A estrada de lama vermelha parece que vai engolir a residência de Machado e outras que fazem parte da Vila Costeira. Apesar de reclamar da poeira e do barulho das máquinas, Machado está feliz. A alegria é compartilhada pelo vizinho Bento Gonçalves da Maia, 65 anos, morador da casa em frente.
Os dois moram em casas simples, de madeira, e em terrenos que foram invadidos. Não possuem documentos, embora tenham água encanada e luz. Agora, por causa da obra, serão transferidos para um bairro distante cerca de quatro quilômetros. Terão escritura do loteamento, água encanada, luz e uma casa nova. Por isso, devem pagar cerca de R$ 30,00 mensais durante seis anos, pelo terreno. O restante vem de graça.
Ficando legalizado é muito melhor. A gente paga um pouco, mas tem um negócio da gente, diz Machado. Para a dona-de-casa Joana Gonçalves da Maia, 56 anos, mulher de Bento, o mais importante é que eles estarão garantindo uma casa própria para os filhos e netos. Dos cinco filhos de Bento, três residem no bairro e serão relocados. Com o terreno do casal, a família terá direito a quatro novos terrenos no outro loteamento. A casa vai ser melhor. Esta aqui está quase em pedaços, compara Joana.
Segundo a assessoria do DNER, os moradores poderão construir as novas casas a partir de junho. A empresa Tração, de Curitiba, que venceu licitação feita pela Companhia de Habitação (Cohab), tem até final de maio para entregar o loteamento, com ruas e sistema de saneamento - água e esgoto. A construção das casas, conforme a assessoria, será em sistema de autoconstrução - feita pelo próprios moradores, com orientação da Cohab.
Só no Contorno Leste, o DNER terá de relocar 400 famílias. A área destinada aos terrenos é de 125 mil metros quadrados, próxima ao local onde vivem hoje as famílias. Isso permite que os moradores continuem a usar a estrutura que estão acostumados, como creches, escola e ônibus.
O DER enfrenta o mesmo problema no Contorno Norte, no qual deve ser gasto cerca de R$ 1,5 milhão em desapropriações de pequenas chácaras, segundo Paulinho Dalmaz. O diretor-geral do DER diz que até agora foram desapropriadas 18 famílias.(J.A.)





