TRISTEZA -

Famílias e instituições de ensino têm perdas com temporal em Londrina

Famílias tiveram casas destelhadas e ficaram sem móveis e alimentos; creches suspenderam aulas para reparos emergenciais

Pedro Marconi - Grupo Folha
Pedro Marconi - Grupo Folha

 

Famílias perderam tudo no assentamento Primavera, como é o caso de Kesya Kringuem França
Famílias perderam tudo no assentamento Primavera, como é o caso de Kesya Kringuem França | Pedro Marconi - Grupo Folha
 


Com o filho no colo, a dona de casa Kesya Kringuem França olhava com tristeza a situação em que ficou a residência. Vivendo na ocupação do jardim Primavera, zona norte de Londrina, ela é uma das moradoras que tiveram perdas com o temporal que atingiu a cidade na terça-feira (14). No caso dela, os ventos de 71 quilômetros derrubaram as paredes sobre os móveis e roupas, levando fios de energia, caibros e destruindo os utensílios. 


Mãe de quatro crianças, está grávida de sete meses. Até o berço dos pequenos molhou e terá que ser descartado. Por sorte, ela e a família estavam na casa da sogra, que fica ao lado, no momento do vendaval. “Tivemos que sair da casa porque estava molhando dentro. Ainda bem que não estávamos aqui, se não tinha caído em cima de nós. Tínhamos começado a reformar, agora vamos ter que comprar tudo de novo: telhas, cimento, tijolos, madeiras”, lamentou. 


O porteiro Valdir Evangelista mora perto ao assentamento, no jardim Catuaí, e ficou sensibilizado com as histórias, iniciando uma campanha de arrecadação de materiais para amenizar a dor das famílias. “As pessoas precisam de roupas, cobertores, colchões, que ficaram encharcados. Alimentos molharam, geladeira estragou. Algumas pessoas estão conseguindo arrumar, mas outras não têm nada, dependem de doação para não ficar sem um teto”, afirmou. 


A região norte foi uma das localidades mais afetadas pelo temporal na cidade. Também houve destelhamentos na ocupação do Aparecidinha, ao lado do São Jorge. Uma liderança do bairro calcula que, pelo menos, 15 famílias tiveram as moradias completamente destruídas, além de outras 25 que registraram danos parciais. Cerca de cinco mil pessoas ocupam o lugar. 


CRECHES

A quarta-feira (15) foi dia de contabilizar prejuízos em vários níveis. Segundo a secretaria municipal de Educação, algumas unidades escolares tiveram estragos, mas a aula segue normalmente. Por outro lado, duas instituições filantrópicas na zona norte tiveram que suspender as aulas para limpeza e retirada de árvore. No CEI (Centro de Educação Infantil) Governador José Richa, no conjunto Violim, um pinheiro de mais de dez metros caiu, quebrando uma tenda e parte de uma entrada secundária usada pelas crianças.


 

CEI José Richa: árvore de grande porte destruiu entrada da unidade
CEI José Richa: árvore de grande porte destruiu entrada da unidade | Pedro Marconi - Grupo Folha
 


Havia funcionários e alunos na hora do incidente, no entanto, ninguém ficou ferido. Na manhã de quarta a gestão do centro ainda aguardava a retirada da árvore, que ficou atravessa em praticamente toda a frente do prédio. “Nunca tivemos problema com essa árvore. Era o cartão-postal da creche. Fazíamos decoração de Natal no pinheiro. Na terça mesmo ligamos para os pais buscarem as crianças. Tinham poucas porque estamos fazendo revezamento”, relatou Paulo Brito, gestor da creche, que atende crianças de um a três anos. 


 

CEI Silvana Lopes: água invadiu creche pelo telhado
CEI Silvana Lopes: água invadiu creche pelo telhado | Pedro Marconi - Grupo Folha
 


No CEI Silvana Lopes, no conjunto Vivi Xavier, a água invadiu as salas e os estudantes também tiveram que ser liberados. Funcionários faziam a limpeza do espaço no dia posterior a chuva, que somou 30 milímetros entre terça e a madrugada de quarta-feira. “Ainda vamos ver como ficou a situação do telhado. A estrutura é antiga, a calha não é suficiente para o volume de água. Quando vem chuva forte acontece isso”, contou a diretora, Eliane Silva Menezes. “Precisamos de voluntários para ver as calhas e doações sempre são bem-vindas", acrescentou. 


BALANÇO

A Defesa Civil de Londrina contabilizou 163 ocorrências. A maioria, 103, foi de solicitações de lona em razão de destelhamentos. Caíram 59 árvores e também foi solicitada uma vistoria em imóvel por conta de estragos. Mesmo com o serviço de servidores da prefeitura, algumas árvores continuavam obstruindo passagens quase 24 horas depois do temporal. 


Na avenida Saul Elkind, na altura do Maria Cecília, uma árvore de pequeno porte e um galho grande despencaram no canteiro central, bloqueando a ciclovia e obrigando as pessoas a utilizarem a rua ou o gramado para passar.  


 

Árvores ainda obstruíam a ciclovia na avenida Saul Elkind durante a manhã de quarta-feira
Árvores ainda obstruíam a ciclovia na avenida Saul Elkind durante a manhã de quarta-feira | Pedro Marconi - Grupo Folha
 


Na terça-feira, Londrina ficou com aproximadamente 25 mil imóveis sem energia elétrica. Na manhã de quarta ainda havia dois mil imóveis no escuro na cidade. Na região eram outros dois mil, sendo mil em Rolândia e o mesmo número em Cambé. A Copel informou que equipes de outras localidades e que não tiveram problemas com as chuvas reforçaram no trabalho de conserto. Pelo menos 54 postes foram quebrados, principalmente, pela queda de árvores sobre a rede elétrica. 


AJUDA – Quem quiser ajudar com doações pode entrar em contato pelos telefones 43 98475-2990 (Kesya); 43 98401-1177, que também é chave PIX, (Valdir); 43 98413-8001 (Paulo); 43 98449-2020 (Eliane). 


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