Famílias do Londriville vão ao MP
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quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Maranúbia Barbosa<BR>De Londrina 
Moradores do Jardim Londriville, de Cambé (13 km a leste de Londrina) estiveram ontem no Ministério Público do município tentando legalizar os lotes que ocupam há sete anos. A empresa proprietária do terreno ganhou na Justiça a reintegração de posse há quatro anos, mas os moradores afirmaram que não irão sair do local. As 53 famílias que moram no loteamento querem pagar pelos terrenos, mas esperam que a empresa apresente um preço razoável. Somente o presidente da Câmara dos Vereadores, Carlos Roberto Rasteiro, que acompanhou a comissão de moradores, foi recebido pela promotora Adriana Lino.
A promotora não quis se posicionar sobre a questão sem antes ouvir todas as partes envolvidas. Uma nova audiência foi marcada para a próxima quinta-feira, quando serão ouvidas a empresa proprietária do terreno (Fratelo Imobiliária) e uma comissão de moradores. Segundo Adriana Lino, se existe uma ordem de reintegração de posse, ''em tese'' ela deveria ser cumprida. Entretanto, ela acredita que a ordem judicial não será efetuada enquanto as discussões estiverem ocorrendo.
Uma das moradoras, Sidineia Rosa Guimarães, 30 anos, casada, três filhos, afirmou que no bairro não tem água encanada, energia elétrica e nenhum tipo de infra-estrutura. Segundo a dona de casa, as famílias utilizam a escola, posto de saúde e transporte coletivo do Conjunto Avelino Vieira, em Londrina. Os moradores, segundo Sidineia, avaliaram os terrenos, de 200 metros quadrados, em cerca de R$ 5 mil. ''Se o preço for justo e parcelado daremos um jeito de pagar'', disse ela.
Vani dos Santos Correia, 25 anos, casada, um filho, disse que a prefeitura ofereceu a transferência das famílias para o loteamento Campos Verdes, vizinho do Londriville. ''Não queremos ir para lá porque o lugar é uma pedreira'', reclamou. Segundo Sidineia, o terreno do Campos Verdes, por ser muito acidentado, compromete a qualidade das construções.
O advogado da Fratello Imobiliária, Péricles Deliberador, disse que se a prefeitura garantir a venda, a empresa tem interesse em negociar com os moradores. Caso isso não ocorra, o advogado pretende entrar com ação contra o Estado, pelo não-cumprimento da reintegração de posse, deferida pela Justiça em 1997. O terreno foi avaliado pela imobiliária em R$ 400 mil e o lote de 250 metros quadrados em R$ 10 mil cada um.
O prefeito José do Carmo (PTB) não vê necessidade em adquirir da imobiliária o terreno do Jardim Londriville. Segundo ele, como já existe a reintegração de posse, as famílias podem ser removidas para o Jardim Campos Verdes, onde existe ''infra-estrutura básica'' e realizar a comercialização dos lotes diretamente com a Cohab. Em caso de aquisição do terreno, a prefeitura teria que dar prioridade para as famílias que estão na lista de espera há mais tempo.


