As 35 famílias de sem-terra que ocupavam as fazendas Santo Antonio e Santa Ana, em Querência do Norte (113 km de Paranavaí), deixaram ontem as duas propriedades para que o Incra inicie os trabalhos de vistoria. As fazendas foram invadidas em junho passado. O proprietário Ciro Taques, que mora no Sul do Estado, conseguiu a reintegração de posse, que não foi cumprida pelo governo.
As famílias deixaram as áreas e montaram acampamento na estrada de acesso às propriedades. Nenhum líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi localizado ontem na cooperativa onde normalmente se encontram. A superintendente do Incra, Maria de Oliveira, está em Natal (RN) participando de um congresso.
O secretário-geral da União Democrática Ruralista (UDR) na região de Paranavaí, Tarcísio Barbosa, considerou um absurdo o acordo feito pelo Incra e o MST. Ele lembrou que em um acordo firmado com o governo estadual, o Incra se comprometeu a não vistoriar áreas invadidas onde o proprietário tivesse a reintegração de posse. Barbosa disse estranhar o comportamento do proprietário, que não deveria ter concordado com a vistoria.
Ele criticou a postura da superintendente do Incra, Maria de Oliveira, no último dia 7 - prazo para a retirada das famílias que ocupam a fazenda Dois Córregos, em Querência do Norte, e Almeria, em Jardim Olinda. ‘‘Ela estava na região no dia em que as fazendas deveriam ser desocupadas, mas não passou nenhum posicionamento para os proprietários, e no dia seguinte voltou para Curitiba’’, disse.

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