O prefeito Antônio Wandscheer (PPS), da Fazenda do Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba, recebeu ontem uma comissão formada por 70 moradores que tiveram as casas atingidas pelas chuvas dos últimos dias. Os moradores reinvindicam melhorias. Na última quarta-feira, 100 famílias ficaram desabrigadas e algumas pessoas tiveram que ser alojadas em escolas do município. Apenas no início da tarde de ontem os desabrigados puderam voltar para as suas casas.
As famílias que tiveram as casas atingidas pelas chuvas, dizem que querem ser relocadas para outras áreas dentro do município. Elas moram no Jardim Iguaçu II, nas margens do Rio Mascate, afluente do Rio Iguaçu. Todos os anos, por causa das chuvas de janeiro, o rio sobe e dezenas de pessoas ficam desabrigadas. Anteontem, quarenta e uma pessoas pernoitaram na Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima e só conseguiram voltar para casa depois que a água baixou. Muitas famílias chegaram a perder todos os pertences por causa do alagamento.
O pedreiro Manoel Rosa de Jesus, 60 anos, disse que todo ano os moradores enfrentam o mesmo problema. Com a casa atingida pelas águas de quarta-feira, Jesus levou a mulher e três filhos para o abrigo público e preferiu ficar em casa para evitar que fosse roubado enquanto estivesse fora.
A dona-de-casa Tania Mara Padilha Chuves, de 33 anos, disse que perdeu quase tudo. Ela mora há quatro anos no local e não perdeu as contas do número de enchentes que teve que enfrentar. ‘‘A água chega até o nosso joelho. Dá o maior desgosto’’, afirmou.
Simone Sueli Dolner, de 25 anos, dona-de-casa, contou que só conseguiu sair de casa com a ajuda do Corpo de Bombeiros, que foi resgatar as famílias de barco. Ela (que está grávida de três meses), o marido e dois filhos ficaram abrigados na escola. A família perdeu o sofá, roupas, colchões. ‘‘Deixei tudo para trás. Tirei apenas meus filhos. Agora eu e meu marido, que estamos desempregados, vamos ter que reconstruir tudo de novo’’, disse.
O sargento Domingues, do Corpo de Bombeiros, que acompanhou a retirada das famílias da área alagada, disse ontem que as enchentes na região são ocasionadas pelo transbordo do Rio Mascate, de alguns pesque-pague e por causa do lixo acumulado no leito do rio.

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