Arroz e feijão. Esse era o cardápio ontem na casa do desempregado Lúcio Antunes Feitosa, 33 anos, morador do Conjunto Habitacional Violin (Zona Norte de Londrina). A realidade dessa família não difere muito de outras milhares que dependem da solidariedade e da contribuição de programas sociais para conseguir comer. Hoje, Dia Mundial da Alimentação, essas famílias têm pouco a comemorar.
Lúcio e a esposa, Márcia Terezinha Alcides Moreira, 39 anos, não se envergonham em afirmar que dependem do Programa Fome Zero, instituído pelo governo federal em parceria com Estados e municípios, para se alimentarem. Há um mês, eles começaram a receber o cupom, que lhes permite fazer uma compra até o valor de R$ 50,00, nos pontos comerciais credenciados. ''Para quem não ganha nada, esse dinheiro vale muito'', ressaltou Antunes.
Márcia, que sofreu um derrame no lado direito do corpo e não tem condições de trabalhar fora de casa, conta que com o cupom fez uma compra suficiente para a as refeições do mês. Ela diz que se preocupou em adquirir alimentos como arroz, feijão, macarrão e sal. ''Foi uma benção de Deus!'', exclamou, pouco se importando com o fato de não ter um pedaço de carne em seu prato.
Moradora do mesmo bairro, Maria Audite Martins Carvalho, 61 anos, vive com duas filhas e duas netas, sendo uma recém-nascida, e também está cadastrada no Fome Zero. As duas filhas estão desempregadas, o que obrigou Maria Audite a procurar um emprego. Para melhorar a renda da casa, durante as noites, cuida de uma outra senhora. Ela afirmou que antes de estar cadastrada no programa federal, recebia uma cesta básica mensal do município.
Na última aquisição feita com o cupom, Maria Audite comprou dois pacotes de arroz, 4 quilos de feijão, 4 latas de óleo, 5 pedras de sabão, papel higiênico, além de outros produtos de menor valor. A única reclamação é quanto aos valores dos produtos. ''Tenho a impressão que as coisas subiram depois que o mercado começou a vender com o cupom. Achei que daria para comprar mistura, mas não comprei nada'', lamentou.
O proprietário de um mercado cadastrado no programa, Genilson Paulista da Rocha, garantiu que não houve variação nos preços. Segundo ele, no último mês, cerca de 70 pessoas compraram em seu estabelecimento utilizando o cupom. O comerciante confirmou que a grande maioria compra alimentos. Alguns aproveitam para comprar um pouco de carne. Ele observou que os mercados estão impedidos de vender cigarro e bebida alcoólica para os cadastrados.
A secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, afirmou que o objetivo é atender, no mínimo, 5 mil famílias em todos eixos do Fome Zero, que, segundo ela, não é um programa ligado, apenas, a alimentação. Até o final de outurbo, cerca de 1,6 mil famílias deverão estar comprando com o cupom do programa social. Outras 1,9 mil continuarão recebendo cestas básicas do município, até serem cadastradas no programa federal.
No próximo sábado, no calçadão da Avenida Paraná, haverá uma exposição com o objetivo de mostrar à comunidade as principais ações do Programa Londrina Fome Zero. ''Queremos envolver a sociedade numa ação coletiva contra a fome'', declarou Rizotti.

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