Famílias denunciam truculência da polícia
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terça-feira, 10 de abril de 2001
Érika PelegrinoDe Londrina 
O número de denúncias feitas ao Centro de Direitos Humanos (CDH) contra a violência praticada por policiais militares aumentou desde março. Segundo o advogado Jorge Custódio Ferreira, membro do CDH, sempre houve reclamações contra a ação truculenta da PM, mas ultimamente estas denúncias estão mais frequentes. Em menos de 15 dias duas denúncias desta natureza chegaram ao CDH que protocolou pedido de abertura de procedimento administrativo no 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM).
Os dois casos envolvem menores de idade. O primeiro diz respeito a J.B, 14 anos que foi tratado como suspeito de assalto a banco, mas era refém do assaltante. Ontem o menor e seus pais Vanira Borges e Banilzo Franco prestaram depoimento no 5º BPM acompanhados de Jorge Custódio. Em seu depoimento o garoto, segundo o advogado, se mostrou bastante traumatizado.
No último dia 26, policiais militares perseguiam quatro homens que tinham assaltado uma agência do Banestado de Tamarana, quando um dos suspeitos entrou na casa do menor no Jardim União da Vitória, zona sul de Londrina. A residência estava vazia e na sequência J.B chegou e foi tomado como refém.
Segundo o pai do menor, Banilzo Franco, os policiais chegaram chutando a porta e agredindo seu filho, que foi jogado no chão. Pisaram em cima dele e apontaram um revólver para sua cabeça, contou Banilzo Franco. Os vizinhos começaram a gritar que ele era refém e só então o soltaram, mas ele já tinha apanhado, contou o pai.
O suspeito do assalto, que estava embaixo da cama, então, foi preso. Quando cheguei meu filho estava na casa de um vizinho e minha casa estava toda quebrada, afirmou Banilzo Franco. Eles pensaram que era a casa do bandido e quebraram tudo, fogão, cama, prato, copo, procurando arma e dinheiro. J.B afirmou que se sente humilhado e não consegue mais sair de casa. Na rua me chamam de assaltante. Quero que responsáveis sejam punidos, afirmou.
Banilzo disse que só resolveu denunciar o caso ao CDH para evitar que os policiais continuem agredindo inocentes. Eles foram instruídos para nos proteger e não para traumatizar nossos filhos. Outro caso que está sendo investigado no 5º BPM, após denuncia que chegou ao CDH, é o do menor J.O.T, 15 anos, baleado por policiais militares na última sexta-feira.
O rapaz, morador do Jardim Maracanã, zona leste, foi retirado de casa como suspeito de assalto. Segundo os policiais, quando ele já estava na viatura sacou um revólver calibre 22 para o policial que dirigia a viatura descaracterizada. O outro policial disparou dois tiros contra o adolescente, que está internado na Santa Casa e corre o riso de ficar paraplégico.
A versão de uma testemunha, Maria Grego, é de que três policiais à paisana entraram na casa quando o menino dormia e o colocaram na viatura já algemado com as mãos para trás. Queremos que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados, afirmou Jorge Custódio. Na opinião do advogado em ambos os casos houve abuso de poder.
O comandante em exercício do 5º BPM, major Manoel da Cruz Neto, afirmou que as reclamações que chegam são avaliadas e aberto processo administrativo quando há procedência. Se for constatado abuso de poder os policiais podem ser processados por lesões corporais. As investigações têm um prazo de até 23 dias para serem concluídas.
Segundo o advogado Jorge Custódio, outro caso de truculência da PM chegou ao CDH ontem. Um músico que tocava na 41ª Exposição, no Parque Ney Braga, denunciou que um policial o abordou de forma violenta ao pedir que ele e sua banda parassem de tocar no último sábado. A denúncia ainda não foi formalizada, mas assim que for protocolaremos um outro pedido de investigação no 5º BPM, disse o advogado.


