Vânia Moreira
Sete pessoas já denunciaram o auxiliar de necrópsia do Instituto Médico-Legal (IML) de Umuarama, Antônio Soares, conhecido como ‘‘Toninho do IML’’. O funcionário, que está afastado do cargo, é acusado de cobrar R$ 300,00 em média para embalsamar cadáveres. Em vez de fornecer uma guia para que os familiares pagassem no banco a taxa de R$ 168,00 pelo serviço, Soares cobrava quase o dobro, recebia diretamente e embolsava o dinheiro. Antônio Soares foi afastado do cargo dia 13 de maio, depois de admitir que não retirou os projéteis dos corpos de dois homens mortos a tiros dia 6 de maio no Posto Quatro Rodas e apresentou outro projétil que seria enviado para exame de balística em Curitiba. Ele está indiciado em inquérito por falsa perícia e vai responder também por corrupção.
O auxiliar de necrópsia deveria ser sido ouvido segunda-feira pelo delegado Sebastião Vieira Filho, que investiga as cobranças ilegais no IML, mas apresentou atestado médico e o interrogatório foi adiado. A irmã do bancário José Luiz de Oliveira, morto com um tiro no peito no Posto Quatro Rodas, foi a primeira a denunciar que pagou ao funcionário do IML R$ 298,00 para embalsamar o corpo. Os donos do posto também denunciam ter pago o mesmo valor para embalsar o corpo do vigia João Barros de Souza. O vigia estava junto com o bancário no posto e também foi executado com um tiro no rosto.
Até anteontem, mais cinco pessoas procuraram a delegacia para registar queixa. O agricultor Antônio de Castro Ramalho, de Francisco Alves (69 km a sudoeste de Umuarama), disse que pagou R$ 300,00 há cinco anos para embalsar o corpo do cunhado José Araújo dos Santos, que cometera suicídio. ‘‘O Toninho queria R$ 350,00 mas deixou por menos depois de insistir muito.’’ Segundo familiares, Soares pressionava as pessoas para embalsamar os corpos, alegando que sem o preparo teriam de enterrar logo o parente.
Sobrinha do vigia Benedito José dos Santos, morto a pancadas em 29 de novembro do ano passado na Escola Municipal Rui Barbosa, Rosimari Coco Santos também alegou ter pago R$ 298,00 para embalsamar o corpo do tio. ‘‘O Toninho disse que se não embalsamasse não poderíamos velar o corpo.’’ Segundo Rosimari, Soares foi buscar o dinheiro na casa acompanhado de outro funcionário do IML, Nilson Ferreira Lopes. A família tem o recibo assinado por Soares. Com o afastamento do auxiliar de necrópsia, o IML de Umuarama não está mais embalsamando corpos. O legista Everaldo Batista de Azevedo não faz este serviço e o único funcionário que ficou no IML não sabe fazer.

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