Famílias deixam duas fazendas em Nova Cantu
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de setembro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Duas fazendas invadidas no início do mês por trabalhadores rurais sem-terra foram desocupadas esta semana em Nova Cantu (130 km ao sul de Campo Mourão). As desocupações foram pacíficas e aconteceram nas fazendas Bom Jesus, de 140 alqueires, e Vista Alegre, de 150. As duas estavam ocupadas desde o dia 7 e os proprietários já tinham conseguido liminares garantindo a reintegração de posse. As áreas são consideradas produtivas.
Outras cinco fazendas continuam invadidas em Nova Cantu, mas segundo a Polícia Militar, as famílias invasores estão saindo aos poucos das propriedades. Na Fazenda Rio Tonete, por exemplo, que já chegou a ter mil famílias cadastradas, restam menos de 100. A propriedade, que pertence ao Grupo Slaviero, tem 200 alqueires e está ocupada desde o final de julho. A invasão ficou conhecida porque um sem-terra morreu baleado por supostos seguranças.
Nas outras quatro fazendas ocupadas - Nova Jerusalém, Santa Terezinha, Marambaia e São Jorge - o número de invasores também vem diminuindo. Na Nova Jerusalém, que tem 280 alqueires e que está ocupada desde 19 de julho, há expectativa de que ocorra retirada ainda esta semana. Das 11 áreas invadidas este ano pelo MST na região de Campo Mourão, apenas sete continuam ocupadas. Nas outras quatro as saídas foram pacíficas.
Enquanto a situação se acalma em Nova Cantu, cresce a expectativa de invasões em Campina da Lagoa (100 km ao sudoeste de Campo Mourão). É que há mais de um mês uma área às margens da PR-239, entre Campina da Lagoa e Ubiratã, vem servindo de acampamento para sem-terra.
A propriedade tem apenas 16 alqueires e foi cedida ao MST pelos próprios donos, os irmãos Vanildo e Roberto Vieira de Andrade.


