O dia nem havia amanhecido quando as famílias que ocuparam o terreno ao lado da marginal da Avenida Guilherme de Almeida (Zona Sul de Londrina), foram surpreendidas pelo enorme efetivo de policiais: 400 homens do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina e de outras quatro unidades da região. A ação foi articulada pelo Estado para o cumprimento do mandado de reintegração de posse da área, que foi batizada pelos invasores de São Francisco de Sales e que pertence à construtora do vereador João Dib Abussafe (PPS).
Ocupada desde o dia 30 de abril, a área já contava com 227 famílias - pelo menos 150 crianças estavam no local. Apesar do grande aparato e do clima de tensão, não houve conflitos e o despejo aconteceu tranquilamente.
Poucas horas após a chegada da polícia, que formava um cordão humano impedindo o tráfego de veículos nas proximidades do local, um barraco foi incendiado. O fogo - rapidamente controlado pelos bombeiros - teria sido ateado pelo proprietário, que não foi identificado. Uma mulher passou mal com pressão alta e precisou ser atendida pelos socorristas do Siate.
Além dos barracos de madeira, diversas famílias já haviam erguido paredes com tijolos e até fossas estavam sendo construídas. O grupo também já havia organizado uma cozinha comunitária, construído banheiros e pequenos espaços de lazer para as crianças. ''Na última conta que fizemos registramos 415 pessoas vivendo aqui. Nós não vamos desistir e pretendemos acampar na frente da prefeitura até que alguma coisa seja feita'', comentou Robson Pereira dos Santos, um dos líderes do grupo.
Monica Andreza Cassiano, 22 anos, que morava no barraco com três filhos, estava revoltada. ''Eu vim pra cá porque não aguentava mais pagar aluguel. A gente não tem pra onde ir, o que eu vou fazer?''
Mãe solteira de quatro filhos, entre eles gêmeos de 5 meses, Glaziele de Souza, 21, chorava ao ver suas coisas sendo colocadas em um caminhão, providenciado pela construtora. ''Eu estava morando de favor com meu pai, mas é só um cômodo e não cabe todo mundo lá'', lamentou.
O porta voz da PM, tenente Ricardo Eguedis, explicou que o grande número de policiais é um procedimento comum adotado em ações como essa e não tem como objetivo causar nenhum tipo de conflito. ''O trabalho da polícia é garantir que tudo ocorra de forma pacífica até todas as famílias deixarem o local.''
A advogada da construtora, Inajá Viana Silvestre, explicou que a construtora mantém a mesma posição em relação ao terreno. ''Não há nenhuma mudança de procedimento em relação à construtora, pois já tentamos negociar mas a prefeitura nos deixou claro que não há interesse algum de comprar ou regularizar o terreno'', disse.
O juiz substituto da 8 Vara Cível de Londrina, Abelar Baptista Pereira Filho, determinou que a prefeitura e Companhia de Habitação (Cohab) disponibilizasse uma locação provisória para 50 pessoas que moravam na invasão. No final da tarde, porém, apenas os pertences dos moradores haviam sido levados para depósitos do município. Segundo o presidente da Companhia, Rosalmir Moreira, o grupo deveria ser levado para abrigos municipais.

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