Famílias deixam área invadida no Quati
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2002
Emerson Dias 
A última das 26 famílias de sem-teto que ocupavam uma área particular próxima à Favela do Quati, zona norte de Londrina, desmontou a barraca no final da tarde de ontem, dia determinado pela Justiça como prazo final para a reintegração de posse do terreno. A maioria recusou os lotes oferecidos pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Lda) no Jardim Maracanã (zona oeste) e seguiu para casa de parentes e amigos.
Como a invasão existia há seis anos, muitos casebres foram construídos em alvenaria e precisaram ser demolidos. No local, a reportagem encontrou apenas pisos em cimento bruto e assoalhos de madeira. Uma mulher de 37 anos, responsável pelo último barraco e que pediu para não ser identificada, disse que estava levando madeira e móveis para o terreno de uma prima. A casa dela fica aqui mesmo no Quati. Ganhamos um cantinho pra gente morar, comentou a mulher, que tem três filhos. Ela e o filho mais velho desmontavam o restante da casa construída em madeira, enquanto os vizinhos observavam a área desocupada.
Para a aposentada Sebastiana Calixto de Souza, a saída dos invasores vai dar mais tranquilidade ao bairro. Eles usaram minha água e minha luz. A Copel desligou minha energia por causa dos gatos (conexões ilegais de energia) que fizeram, criticou.
Segundo o diretor-administrativo e Financeiro da Cohab, Augusto Dias Junior, todos os sem-teto respeitaram o prazo dado pela Justiça e não criaram confusão. Viabilizamos um transporte para a última família que ficou no local. Sugerimos, assim como a Polícia Militar, que a empresa responsável pelo terreno isole o local para evitar novos problemas, disse. Dias Junior lembrou que a maioria dos invasores veio da antiga favela Vila Rica, hoje Jardim Leste-Oeste.
A determinação judicial não inclui todos os sem-teto da favela. Da área total do terreno que compreende o Quati, apenas três mil metros quadrados foram devolvidos legalmente à Construtora Cebenge, proprietária do imóvel. O restante do lote já havia sido regularizado em 1994 pela administração pública, garantindo a urbanização do local, como a construção do asfalto, saneamento básico e energia elétrica.
Perto de 1.850 famílias não estariam desfrutando o direito básico da moradia em Londrina, previsto na Constituição. Este é o número de famílias que, segundo a Cohab, ocupa atualmente 32 áreas invadidas, sendo 27 pertencentes ao município e cinco de particulares.


