Famílias de muitos pais e muita miséria
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quarta-feira, 25 de março de 2009
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Pai, mãe e um casal de filhos. O modelo tradicional de família é cada vez mais raro. E isso não é exclusividade dos pobres. Porém, nos bairros mais carentes é comum encontrar relatos de mães jovens, com filhos de diferentes pais e recursos financeiros escassos para criá-los.
Uma família desestruturada gera consequências tanto para a mãe quanto para as crianças. E os efeitos variam de dificuldades escolares a problemas emocionais. A receita para evitar esses prejuízos, de acordo com a professora do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Maria Rita Zoéga Soares, é ter a sensibilidade para identificar as necessidades das crianças, desde a alimentação até a troca de fralda.
''As pessoas são geralmente sobrecarregadas, têm de dar conta do trabalho, da educação das crianças e não têm outro ponto de apoio, como o parceiro, a avó, a creche ou a escola'', aponta Maria Rita. O resultado são filhos desamparados, mesmo quando as mães estão em casa. O abandono é emocional, com a mãe que não tem qualquer tipo de apoio.
Os filhos, explica, também podem ser alvo de abuso físico, psicológico, sexual, da negligência, de uma supervisão extremamente punitiva, com castigos severos e surras, humor instável, ausência de regras e de modelo de comportamento moral.
As consequências para as crianças e adolescentes? ''Sentimento de insegurança, hostilidade e agressão, dificuldade para desenvolver vínculo afetivo, forte comportamento antisocial e baixa autoestima.''
O apoio necessário pode partir do sistema de saúde e da escola, com atividades acadêmicas, esportivas e recreativas no contraturno, ou da sociedade civil, através de associações de moradores, grupos de mães, igrejas e ONGs.
Um exemplo é o tratamento oferecido pela Clínica de Psicologia da UEL, que atende 400 pessoas carentes por mês. Os pacientes chegam normalmente encaminhados pelas escolas e unidades básicas de saúde. A exigência é que não tenham condições de pagar um tratamento particular.
Segundo Maria Rita, a mães que criam os filhos sozinhas podem pedir auxílio no próprio bairro para suprir as necessidades básicas. E, dentro da própria família, criarem condições favoráveis para o desenvolvimento.
''Um filho pode ajudar a segurar o mais novo enquanto elas cuidam da alimentação. As mães também podem incentivar que um filho ajude o outro, ceda sua vez em benefício do irmão. Um dos filhos pode ficar responsável por dividir o feijão que a família tem no dia, por exemplo. É criar um canal aberto de comunicação para que as crianças consigam desenvolver um padrão de comportamento ligado à solidariedade e à confiança'', sugere. E, paralelamente ao apoio, as mães deveriam ter incentivo para criar condições de garantir o próprio sustento.
Com medidas simples, acredita a psicóloga, é possível amenizar casos de sofrimento familiar. ''Sou otimista. Temos condições dentro do próprio ambiente de criar alternativas junto com as pessoas para sair dessa situação. A psicologia tem condição de ajudar nesse sentido'', aponta. ''Acredito no ser humano. Mesmo em condições extremamente difíceis, as pessoas conseguem obter saídas para as suas vidas.''
Serviço
Clínica de Psicologia da UEL
Fone: (43) 3371-4237


