Famílias dão conforto a pacientes terminais
Manter um paciente terminal em casa exige amor da família, mais do que a estrutura e suporte oferecidos pelas equipes do Sistema de Internação Domiciliar (SID). Foi esse fator que conferiu uma morte mais serena a dona Zulênia, 67 anos, garante a devotada filha Claudete Stringueta, 37 anos. ''Tenho certeza de que ela foi muito feliz ao nosso lado. Nos últimos meses de vida minha mãe já não falava, mas eu sentia isso no semblante dela. No hospital, com aquele monte de tubos, eu só via sofrimento.''
Foram 26 anos de luta, enfrentando cinco derrames, uma amputação de perna e o mal de Alzheimer. A maior parte desse tempo foi gasta em hospitais, conta Claudete, até que a família venceu o receio e aceitou ''internar'' Zulênia em casa, em 2001. ''Passamos a ter um hospital dentro de casa e com a família toda lhe dando amor, até o cachorro'', ressalta. A comerciante lembra que, fora do hospital, a mãe ganhou peso e nunca mais teve feridas pelo corpo. ''Nós a virávamos na cama sempre que preciso, aplicávamos todos os remédios, molhávamos sua boca. Era uma atenção constante que não podiam dar para ela no hospital'', observa.
Como Zulênia, dona Alexandrina, 70 anos, viu no SID a chance de voltar a ter paz. ''Ela já havia retirado um terço do estômago por causa do câncer. Fez 18 quimioterapias, até que a médica disse que não havia mais o que fazer. Ela preferiu passar seus últimos dois meses em casa'', relata a filha, Maria Helena Daesiol. Segundo ela, não foi preciso fazer nenhuma adaptação na residência para cuidar da paciente. A única mudança foi que a filha parou de trabalhar para dar atenção integral a ela. ''Se fosse eu a doente, também optaria por morrer em casa'', opina.
Para Claudete, programas como o SID deveriam ser melhor divulgados e receber investimentos do governo federal. ''Só quem passou pelo mesmo que eu sabe o quanto é importante ter o paciente em casa. E imagine quantos leitos iriam sobrar para quem precisa mais dos hospitais''. (V.N.)





