A destruição e os prejuízos com as enchentes na região, o agricultor José Candido do Prado, 35 anos, e a esposa Rosimeire Nogueira do Prado, 28 anos, contabilizam, olhando da janela de casa, na Vila Rural das Orquídeas, em Guaravera (ao Sul de Londrina). Onde antes havia uma a plantação de pepino, ontem pela manhã era possível avistar o Rio Taquara, que na tarde de quinta-feira transbordou, inundando a residência.
Na mesma vila rural, a família de Gilberto do Prado Júnior passou a noite com a mudança em cima de um caminhão, atendendo ao alerta do Corpo de Bombeiros que pediu que deixassem a área. Havia risco de rompimento de uma represa na cabeceira do rio, em Arapongas (25 quilômetros ao Oeste de Londrina).
Em outra cena da enchente, a família da aposentada Maria Aparecida Santana Oliva, 60 anos, que mora em um sítio às margens do Ribeirão dos Apertados, fazia procissões com a água quase na cintura para salvar o que a enchente não levou. Cada família vive um drama, com a perda de móveis, documentos e plantações.
José Candido do Prado calcula que tenha perdido R$ 20 mil. Não sobrou nada das duas estufas de pepinos, que deveriam ser colhidos em 30 dias. A água levou também 3 mil pés de tomate. ''Emprestei R$ 15 mil para investir na produção e agora não tenho como pagar'', lamentou Prado, que está abrigado na casa dos pais em Guaravera.
Reinaldo Isidoro Araújo, 62 anos, é vizinho de Prado. A família dos dois, e a de outro agricultor desabrigado, não querem voltar para as propriedades. O medo é de que a enchente surpreenda, fazendo vítimas fatais.''Onde eu morava, posso dizer que fui salvo por Deus'', desabafou Araújo. O medo de novas chuvas é acompanhado pela preocupação com a falta de água. O Taquara atingiu um poço artesiano, interrompendo o fornecimento.
Dentro da casa da aposentada Maria Oliva os móveis ainda estão no meio da água. Seis cabritos, 50 perus, 200 cabeças de frangos e dois bezerros fazem parte dos prejuízos. Documentos e cerca de R$ 500,00, que serviriam para pagar o IPTU também farão falta para a mulher, que mora com os cinco filhos e netos na propriedade. Apesar de tudo, ela agradecia a Deus por que ninguém da família morreu. Ao voltar para casa para tentar recolher um pouco da roupa que sobrou, a família encontrou a cachorra Lilica boiando em cima de um aparelho de televisão.
''Estou com 60 anos de idade. Trabalhei 27 anos na prefeitura, servindo café para o pessoal. Hoje, essas mesmas pessoas que servi não me ajudam. Não recebemos nenhuma visita. Nem vereador, prefeito, Defesa Civil. Será que ninguém vai ter compaixão de nós?'', indagou dona Maria. O diretor de operações da Defesa Civil, Rosalmir Moreira, garantiu que esteve na localidade anteontem, orientou os moradores a se transferirem para um Centro Comunitário e prestou toda a assistência necessária.

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