Emerson Cervi
De Curitiba
Dentro de duas semanas os donos de 398 casas da Vila São José do Passaúna, em Curitiba, devem começar as ligações domiciliares ao sistema de captação e tratamento de esgoto da Sanepar. Desde que a vila existe, há cerca de 25 anos, o esgoto das casas é depositado em fossas sépticas ou despejado diretamente no Rio Passaúna. Há cerca de dez anos a Sanepar represou o rio para fazer um reservatório. A água captada da represa é distribuída pela Sanepar para cerca de 1/3 da população de Curitiba. A poluição encarece os procedimentos de tratamento e purificação da água.
O maior problema é com 120 residências, onde vivem cerca de 600 pessoas, no fundo de vale de um arroio que é afluente do Rio Passaúna. Eles despejam cerca de 120 mil litros de esgoto domiciliar sem tratamento por dia na represa. As outras 278 casas da vila são regularizadas e a maioria tem fossa séptica. ‘‘Com a parceria entre Sanepar, prefeitura e moradores que começou há dois anos vamos resolver o problema ambiental e melhorar a qualidade de vida dos moradores’’, disse ontem o secretário municipal de Obras Públicas, José Eduardo Conter.
Toda a rede de captação de esgoto da vila São José já está instalada. São mais de 8,7 quilômetros de rede e 3,7 quilômetros de recalque. Em duas semanas a Sanepar conclui a construção da estação elevatória, que vai fazer a transposição dos dejetos da bacia do Passaúna para a bacia do Rio Barigui. ‘‘Quando o sistema estiver em funcionamento nem mesmo o esgoto tratado vai para o Rio Passaúna, ele seguirá para o Rio Barigui’’, afirmou o secretário. Ao todo, estão sendo investidos R$ 769 mil no sistema de captação de esgoto da vila São José.
Segundo o presidente da Associação de Moradores da vila, Luiz Marcelo dos Anjos, a canalização do esgoto era uma das principais reivindicações dos moradores da região. ‘‘Mais de 95% dos donos de casas aderiram ao plano da Sanepar e concordaram em pagar pela melhoria’’, afirmou.
Eles puderam optar por três planos de pagamento pela rede de saneamento. Em 24 meses de R$ 18,33, em 36 meses de R$ 13,00 ou 48 meses de R$ 4,93. As famílias carentes poderão pagar em 36 meses de R$ 4,93. Além disso, os moradores pagarão cerca de R$ 20,00 pelas ligações domiciliares. Luiz Marcelo dos Anjos mora na vila São José desde que nasceu. ‘‘Quando eu era criança havia até peixes no córrego onde hoje só tem esgoto.’’
Edilson Gurski mora há seis meses em uma casa na ocupação irregular do fundo de vale. Entre as fundações da casa termina a canalização de águas pluviais da parte regularizada da vila São José. Acontece que alguns moradores que não têm fossa séptica ligam o sistema de esgoto domiciliar à rede de águas pluviais e os dejetos são lançados diretamente no arroio. O manilhamento termina praticamente na porta da casa de Gurski. ‘‘Em dias muito quentes o mau-cheiro fica insuportável’’, contou o morador.Desde que o povoado existe, há 25 anos, os detritos das casas são depositados em fossa séptica ou diretamente no Rio Passaúna
Mauro FrassonVida difícilEdilson Gurski mora há seis meses em uma casa na ocupação do fundo de vale: ‘‘Em dias quentes o mau-cheiro fica insuportável’’

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