Moradores da Favela Quati (zona norte de Londrina) decidiram recusar a proposta da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) para se mudar para o Jardim Maracanã (zona oeste). Eles descartaram o local porque é muito afastado do centro, da área onde vivem e de seus trabalhos, além de não oferecer as mesmas condições de vida.
A recusa dos moradores dificulta a solução imediata para liberar o terreno da Favela do Quati, cuja a Justiça determinou a reintegração de posse. A Polícia Militar já comunicou os moradores que precisam sair. Metade da favela Quati 26 famílias ocupa há mais de seis anos um terreno de 3 mil metros quadrados pertencente à construtora Cebenge Engenharia. A outra metade está em terreno já regularizado pela Cohab.
De acordo com o representante da comunidade, o pedreiro Cícero Emílio da Silva, a maioria já decidiu que não vai sair da região. ''Se eles tirarem a gente daqui, vamos ali para a beira do rio (Córrego Quati), montamos nossos barracos no fundo de vale'', ameaçou. Segundo o pedreiro, a Cohab teria condições de alojar as famílias em outra área, além do Maracanã.
O presidente da Federação dos Moradores em Assentamentos e Sem-teto de Londrina e região, José Ricardo da Silva, entende que a resistência dos moradores em sair do local é porque a maioria tem emprego nas redondezas, os filhos estão na escola e creches da região.
Mas o diretor administrativo e financeiro da Cohab, Augusto Dias Júnior, disse que se os moradores aceitarem a mudança, a companhia vai oferecer ajuda no desmonte dos barracos, transporte do material e ajudar na construção das novas moradias, inclusive cedendo parte do material necessário.
A não aceitação da proposta, porém, pode significar a saída da Cohab das negociações. ''A Cohab está tentando evitar o confronto com a PM. E a área do Maracanã é a única que podemos oferecer'', avisou.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães, disse ontem que está disposto a esperar um prazo ''razoável'' para a saída pacífica da área. ''Mas, se dentro de um mês, não houver uma solução sem uma justificativa viável, vou ter que cumprir com meu dever'', alertou.

mockup