Os cabelos com os primeiros fios grisalhos dão estilo aos motociclistas do Carpe Dien, movimento nacional de moto turismo que nesse final de semana prolongado marcaram os pneus de terra vermelha em solo londrinense. Mas para compor o visual, não faltaram o tradicional colete de couro preto e o motor forte das feras. ''Somos adeptos da filosofia de carpe dien, que em latim significa aproveite a vida, viva. Somos todos motociclistas, pais e avós, profissionais bem resolvidos, que nos juntamos para fazer o que mais gostamos: andar de moto curtindo a vida'', explica o presidente do grupo, Francisco Lacerda.
A idéia surgiu em 2004 e de lá para cá se concretiza nas viagens que o grupo organiza. Em Londrina, se reuniram cerca de 160 motos e mais de 300 pessoas. Isto porque, não é só o motorista e o garupa que caem na estrada. Filhos, netos, tios, pais e amigos pegam carona na diversão. ''Eles vêm de ônibus ou nos carros de apoio e nos encontram onde ficamos. É esta proposta familiar que nos agrada, porque tinha muita gente que possuía a moto guardada em casa, mas não se encaixava nos moto-clubes'', destaca o comerciante de Mogi das Cruzes (SP), Everton Gouveia.
Além da crença na filosofia de carpe dien, o movimento prega a ordem e segurança no trânsito. ''Para entrar no grupo precisa ter uma moto acima de 600 cilindradas, o curso de conduta de estrada - que é dado pela polícia e também pelo próprio movimento -, e sobretudo muito respeito e amor pela vida'', enumera o coordenador da regional Londrina do Carpe Dien, Jair Ancioto. Ele ainda aponta outras questões pertinentes aos motociclistas: ''É preciso ser amante das motos e estradas, respeitar o meio ambiente e o companheiro de rodagem. Aqui ninguém ultrapassa ninguém. Na posição que saiu o motociclista segue por todo o caminho que for fazer''.
Tanta organização impressiona ao se considerar que todo o trabalho para a realização do encontro é voluntário e feito através da página do movimento na internet (www.carpedien.org.br). ''Não cobramos nenhuma taxa, nem existe filiação. Cada um arca com os próprios custos. A única coisa é que a pessoa que for entrar tem que ser aceita pela coordenação regional. Queremos saber quem ela é, com o que trabalha e qual sua conduta na sociedade'', explica Lacerda.
Ele complementa que, no grupo, há vários profissionais liberais, juízes de direito, desembargadores, comerciantes, empresários. Mas nada disso parece importar depois que o motociclista entra para a equipe. ''Até ele entrar, tomamos o cuidado de saber quem ele é, porque queremos rever e modificar essa imagem tradicional do motociclista, que é visto como motoqueiro e encrenqueiro''.
Basta a inocência do olhar da pequena Manuela, de quatro meses, para que a imagem do movimento Carpe Dien seja compreendida de imediato. Filha da massoterapeuta de Presidente Prudente, Adriana Ferreira, e do coordenador daquela região, Alexandre Bacarin, ela é a mascote do grupo. ''Ela veio com a minha mãe no carro de apoio e eu vim com meu marido na moto''. O pai, coruja, antecipa: ''Ela já está na estrada e esta será a primeira de muitas viagens''.

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