Famílias criam grupo paralelo ao MST em Querência do Norte
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
As famílias de sem-terra desalojadas das margens do rio Paranapanema, em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí), estão formando um grupo paralelo para a ocupação de propriedades no município. Das 40 famílias que saíram das margens do rio, já são mais de 100 que ocupam desde a semana passada a fazenda São Sebastião, de cerca de mil alqueires.
A decisão das famílias de invadir a área e convocar mais agricultores da cidade se deve a falta de acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). As 40 famílias conseguiram, depois de protestar na praça central da cidade, um acordo para ocupar uma área da fazenda Sonho Real, junto com os sem-terra do MST. Como elas não cumpriram o acordo integralmente, os sem-terra do MST fizeram pressão até que as 40 famílias deixassem a propriedade.
O prefeito de Querência do Norte, Wanderlei Alves da Costa (PDT), disse ontem que o grupo de ex-ribeirinhos está cadastrando os agricultores sem-terra da cidade e abrindo espaço no acampamento da área ocupada na fazenda São Sebastião. O objetivo dos líderes, segundo o prefeito, é de ganhar força para negociar com o Incra a desapropriação da fazenda para o assentamento das famílias, que sempre moraram na cidade.
O prefeito disse ontem que está tentando informar para a superintendente do Incra a situação da cidade. Ele adiantou que não tem idéia se o instituto vai tratar as famílias desalojadas da mesma forma como negocia com o MST. O prefeito disse ainda que o proprietário da fazenda São Sebastião, Rubens Acorsi, já demonstrou interesse em negociar a área. A propriedade estava arrendada para três produtores de arroz. Ontem a Folha procurou contato com a juíza Elizabeht Kather, de Loanda, mas ela estava em audiência no período da tarde. No Fórum ninguém soube informar se Acorsi já fez o pedido de reintegração de posse da área ocupada.


