As mais de 100 pessoas que continuam desabrigadas por causa das chuvas em Nova Cantu (120 km ao sul de Campo Mourão) ainda não sabem quando poderão voltar para casa. Ontem não choveu na cidade, mas os desabrigados mais castigados pela inundação do Rio Tonete ainda não conseguiram consertar suas moradias. A maioria deles passou o dia limpando a casa, mas teve que voltar para a Escola Municipal Castro Alves para almoçar e para dormir.
‘‘Não dá nem coragem de entrar em casa’’, queixa-se a aposentada Maria Adelaide do Nascimento, 75 anos. Ela mora sozinha num barraco de dois cômodos, sem assoalho, e diz que foi retirada de casa por vizinhos quando a água já estava ‘‘para cima da barriga’’. ‘‘Se não tivessem me ajudado, teria morrido’’, contou Adelaide, que perdeu tudo que tinha em casa e está morando com uma sobrinha.
A dona de casa Derli Rodrigues, 22 anos, e o marido, Hipólito Sabino, 40 anos, também passaram ontem o dia todo tentando limpar a casa que ficou alagada no domingo. ‘‘Ficamos com a água até o pescoço’’, contou Derli. O casal e os três filhos - uma de 11, um de 9 e outro de 5 anos - estavam dormindo quando o rio começou a transbordar e inundou a casa de dois cômodos. ‘‘Perdemos tudo’’.
Maria Adelaide mostra a que altura a água chegou: barraco está um caos
As 20 famílias que continuam desabrigadas estão alojadas em salas de aula da Escola Castro Alves, que centraliza as doações de alimentos e de colchões e cobertores. A escola está sem aulas desde segunda-feira para poder abrigar as famílias. A diretora Sônia Maria Costa Santos disse que pretende retornar às aulas hoje. ‘‘Vamos tentar, nem que tenhamos que deixar os colchões empilhados na secretaria’’.
Colchão Segundo a diretora, a prefeitura e a comunidade têm ajuda com doações, mas ainda é preciso arrecadar, principalmente, colchões e alimentos. ‘‘À medida que os desabrigados começam a voltar para casa, eles levam os colchões doados, que já estão acabando’’, contou Sônia. ‘‘Além disso, famílias com cinco ou seis pessoas têm ficado com apenas um colchão’’.
‘‘Nossa vila sempre alaga com as chuvas, mas nunca desse jeito’’, disse a dona de casa Ana Calixto de Oliveira, 46 anos. Ontem ela retirou de casa todos os móveis que não prestam mais. ‘‘Não sobrou quase nada’’, queixou-se. ‘‘O rio subiu cerca de quatro metros’’, disse o bóia-fria Cícero Maneol dos Santos, 44 anos. Ele estava em casa com a mulher e dois filhos na hora da chuva e agora não sabe quando poderá voltar para casa. ‘‘A chuva acabou com tudo’’.Sid SauerDerli, o marido Hipólito e os três filhos em frente da casa: desolaçãoSid Sauer

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