Famílias contabilizam estragos até hoje
Jataizinho - Em junho do ano passado, a FOLHA acompanhou o drama de 22 famílias que tiveram grandes prejuízos com a forte chuva que atingiu Jataizinho e região. Seis delas perderam tudo que tinham em casa, como o pedreiro Pedro Barbieri Neto.
Na época, ele foi abordado pela reportagem enquanto usava um bote para sair de casa e buscar mantimentos para a família. Ao retornar em sua residência nesta semana, encontramos a esposa e os quatro filhos.
Marta Fragoso conta que ainda não conseguiu recuperar os pertences levados pela chuva. Ela afirma que até o bote está danificado. "A prefeitura nos deu colchões, móveis, roupas e cestas básicas, o resto fui ganhando de amigos e parentes, mas tem muita coisa que ainda não consegui comprar, como o armário da cozinha e a cômoda do bebê", diz a caseira em uma chácara na região de Beira Rios.
Dentro da casa de quatro cômodos, ela mostra os poucos móveis que foram frutos de doação após a tragédia. "Parece que até hoje eu sinto o cheiro da enchente dentro de casa. Como não temos opções, resolvemos ficar aqui; no fundo, eu gosto de morar nesse lugar. A gente espera para ver no que dá", desabafa.
No dia em que a água subiu até dois metros, ultrapassando o muro da chácara, Marta lembra que era noite e o único pensamento do casal era socorrer as crianças. Hoje, ela comenta que não há muito no que se preparar a não ser deixar os documentos em uma pasta em local acessível, assim como uma mala de roupas quando a chuva ameaça cair com força.
Outro ponto alagado na ocasião foi a Rua Curitiba, no bairro Grande Rio. Apesar de a prefeitura ter iniciado a recuperação da via com recape asfáltico, o medo dos moradores é com o acúmulo de entulhos e as novas construções.
A diarista Kelly Cristina Lima tinha acabado de se mudar quando um dia depois, o rio desaguou em frente à sua casa. "Eu tinha colocado tudo limpinho no lugar. Estava exausta quando a água começou a subir até o vão da porta. Corri para colocar tudo em cima de andaimes", recorda.
Moradora de Jataizinho há muitos anos, Kelly declara que a enchente já é um fato esperado pela população. "Isso acontece há anos e não tem como nós, moradores, nos prepararmos a não ser ficar atento a qualquer sinal de chuva. O que me preocupa é que há um tempo atrás não havia tanto lixo por aqui e nem tanta construção. Acho que isso só vai piorar nossa situação", conclui. (M.O.)





