Famílias contabilizam estragos após alagamentos em Londrina
Temporal de terça (4) deixou estragos em toda a cidade. Acumulado de chuva de fevereiro representa mais da metade da média esperada para o mês
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2025
Temporal de terça (4) deixou estragos em toda a cidade. Acumulado de chuva de fevereiro representa mais da metade da média esperada para o mês
Douglas Kuspiosz - Reportagem Local 

De norte a sul, o forte temporal que atingiu Londrina na última terça-feira (4) deixou estragos. Foram registrados cerca de 34 milímetros de chuva em uma hora, volume suficiente para causar alagamentos em praticamente todas as regiões da cidade.
Um dos locais mais atingidos foi a rua Lírios-dos-Vales, no Parque das Indústrias, na zona sul de Londrina.
A casa da autônoma Enereidy Zacharias foi completamente tomada pela água, que chegou de uma hora para outra. Ela mora com os três filhos e, nesta quarta-feira (5), ainda contabilizava os prejuízos causados pelo alagamento.
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“Eu estava chegando do trabalho, e a chuva estava muito forte. Meus dois filhos adolescentes já estavam em casa e conseguiram salvar algumas coisas, porque lá fora já estava alagado, e logo depois veio para dentro”, lembra. “Eles conseguiram salvar alguma coisa e, graças a Deus, não foram muitas perdas.”

Ela conta que a rua costuma alagar, com a enxurrada invadindo seu terreno, mas essa foi a primeira vez que a água entrou na casa – atingiu pelo menos 40 centímetros, conforme as marcas que ficaram nas paredes.
“Infelizmente, perdemos os guarda-roupas, o sofá estamos tentando recuperar, mas não sabemos se vai ser possível, e perdemos algumas outras coisas”, relata.
A moradora diz que já entrou em contato com a prefeitura e com a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) para tentar resolver o problema de alagamento na rua. “Para entrarem em acordo para poder fazer, pelo menos, mais bocas de lobo, para suportar a água. A rua em si já é baixa e as nossas casas são baixas."
A autônoma conta que as equipes da Defesa Civil precisaram bombear a água para fora do terreno. “Eles foram maravilhosos, socorreram com a bomba, com baldes. Eu agradeço muito, eles socorreram o pessoal dos fundos e foram os salvadores do dia”, continua.
Agora, maior preocupação de Enereidy é conseguir consertar o telhado da casa, que está danificado. Enquanto a FOLHA estava na residência, ainda havia goteiras dentro na cozinha e nos quartos, mesmo com a chuva dando uma trégua.
“O telhado seria mais urgente porque nossa preocupação é que, além de molhar o chão, está molhado em cima. Tem telhas quebradas e fora do lugar, o que acaba molhando a casa”, lamenta. Doações podem ser feitas pela chave Pix 43 98486-7268.
‘PERDI TUDO’
Na casa dos fundos do terreno, citada por Enereidy, mora a família da vendedora ambulante Sara Regina dos Santos, que acabou perdendo praticamente tudo com a chuva. Móveis e eletrodomésticos foram danificados – havia tanta água dentro da residência que a geladeira e os botijões de gás ficaram boiando.

“Foi muito rápido, chegou do nada, então não deu tempo de a gente fazer muita coisa. Quando a gente viu, a água já estava tomando conta de tudo”, conta Santos, que, junto do marido Adriano, procurou colocar as crianças em um local seguro. “Perdi todas as minhas coisas, querendo ou não acabou molhando roupa, calçados, móveis e agora vamos tentar recuperar de volta.”
A família está morando no local há cerca de sete meses e estava tentando se estabilizar após vir para Londrina. Muito do que estava na residência era fruto de doações. “O pouco que a gente tinha, acabou perdendo”, lamenta. Sofá, colchões e outros móveis ficaram amontoados do lado de fora da casa.
A família precisa de roupas, alimentos, cobertores e colchões. Móveis e eletrodomésticos também são necessários. Com medo de novos alagamentos, a família pensa em se mudar. "Estamos precisando de ajuda". Doações podem ser feitas no Pix 43 99164-8925.
MAIS PROBLEMAS
Do outro lado da cidade, na Zona Norte, a casa da auxiliar de limpeza Rosângela Rodrigues também foi invadida pela água. Ela mora na rua Vantuil Frisselli, no Primavera, há cerca de dez anos. Desde o ano passado, os alagamentos têm sido mais frequentes.
“Eu até aterrei para ver se parava, foi erguida [a casa], mas continua o mesmo problema”, reclama a moradora, que precisou usar baldes e fazer um buraco na parede da casa para tirar a água suja. “Veio do [ralo] do banheiro e da caixinha séptica, que voltou da rua, que estava entupida e voltou para dentro.”

Ela, o filho e a nora foram até as 4h desta quarta-feira para conseguir retirar toda a água e lama que entrou na residência.
A maior cobrança é para que o problema que Rosângela alega que existe na rede de esgoto seja corrigido, para evitar que a água entre na casa. "Se eles resolverem isso da Sanepar, vai melhorar."
Procurada, a Sanepar disse que foi até o local na noite de terça e não identificou problema na rede. “Tratava-se de água da chuva”, resumiu a companhia, que enviou a mesma posição para o alagamento na rua Lírios-dos-Vales.


