Famílias consolidam reassentamentos
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro 
Cascavel
Edson MazzettoTransporteJosé Camilo, da Crabi, recebe de Valmor Eggert as seis primeiras camionetas doadas pela CopelAs famílias que estão deixando as margens do Rio Iguaçu na faixa da Usina de Salto Caxias estão consolidando os reassentamentos em 7,3 mil alqueires de terras em municípios do Oeste e Sudoeste do Paraná. A Copel presta todo tipo de apoio e a produção já está sendo iniciada, antes do prazo previsto para a transferência. O programa serve como modelo num projeto na Assembléia Legislativa que fixa critérios para remanejamento de famílias de áreas de alagamentos.
A Copel tem ido além do previsto em acordos com as 604 famílias em fase de transferência, representadas pela Comissão dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi) e agora também por associações formadas nos próprios locais de reassentamento. Ontem, a companhia formalizou a entrega na Superintendência Regional de Cascavel de seis camionetas Toyotas usadas. Mais cinco serão repassadas nos próximos dias para uso comunitário nos reassentamentos.
As chaves dos carros foram entregues a representantes da Crabi e das associações de famílias. Segundo o engenheiro Valmor Eggert, gerente do Departamento de Implementação de Salto Caxias, a doação das camionetas não estava prevista, mas foi decidida a partir da constatação de que as famílias ainda têm dificuldades para circular. Não há ainda a estruturação de linhas regulares de transporte.
As famílias já receberam autorização da Copel para ocupar as áreas e preparar o plantio da safra de verão, embora oficialmente o prazo acordado para a transferência seja o final do primeiro semestre do ano que vem, seis meses antes do fechamento das comportas da hidrelétrica de Salto Caxias. Para a compra de insumos para o preparo da terra, a Copel forneceu R$ 5,4 milhões. Para a construção de casas e galpões, em fase de início, são R$ 7,55 milhões.
A companhia investe R$ 270 milhões em terras, divisão de lotes, abertura de estradas e obras de infra-estrutura nos reassentamentos. São beneficiados pequenos proprietários, meeiros e arrendatários, num contingente estimado em três mil pessoas. Outros 325 proprietários preferiram cartas de crédito para comprar terra por conta própria. Para 1,1 mil a Copel pagou em dinheiro, num total de R$ 50 milhões.
O maior reassentamento fica na Fazenda Piquiri, em Cascavel, a margem da BR-369 e a 15 quilômetros da cidade. Lá, 252 famílias dividem 2.732 alqueires. A receita total anual prevista com a produção é de R$ 4,5 milhões. Segundo José Uliano Camilo, coordenador da Crabi, serão produzidos anualmente 715 mil litros de leite, 240 mil quilos de suínos, 60 mil quilos de peixes, 4 mil toneladas de soja, 3,2 mil de milho, 1,7 mil toneladas de trigo e 3,6 mil quilos de mel.
O reassentamento de Salto Caxias está sendo usado como modelo em projeto apresentado na Assembléia Legislativa pelo deputado Irineu Colombo (PT), que prevê a construção de hidrelétricas somente após o remanejamento completo de famílias ou indenizações por terras que serão alagadas. As novas terras deverão ser escolhidas em conjunto pelas famílias e companhia responsável pela usina - exatamente como ocorreu no acordo entre Copel e Crabi, pela primeira vez no País.


