Famílias compram apenas o essencial em Londrina
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quinta-feira, 07 de novembro de 2002
Janaina Hoffmann<BR>Reportagem Local 
O movimento nos mercados da periferia de Londrina só vem diminuindo nos últimos dias, como reflexo da alta dos preços do arroz, açúcar e outros produtos da cesta básica. Em compensação, segundo Rosângela Gusmão da Costa, proprietária de um minimercado no assentamento São Jorge (Zona Norte), não há um dia em que o consumidor não reclame dos preços. ''Com alguns trocados no bolso, as pessoas levam apenas o essencial'', constata.
Sempre que recebe a aposentadoria, cerca de R$ 200,00 mensais, Juraci de Lima Rezende, 73 anos, residente no assentamento, compra o que dá. Do que precisa, leva um pouco de cada coisa. ''Carne, só de vez em quando. Quando dá pra comprar é meio quilo, e olhe lá.'' Para o garçon Eduardo Cassini, a situação está cada vez mais difícil. Apesar de receber por semana, tem mês que não consegue tirar R$ 200,00. Só com alimentação, chega a gastar mais da metade do salário.''Toda semana compro uma coisinha. Numa levo o arroz, na outra o óleo. Tenho que comprar picadinho.''
O comerciante Reginaldo Milão, dono de um mercadinho há dois anos no São Jorge, comenta que, mesmo em dificuldades financeiras, as pessoas compram por necessidade. Tem vez que chega um cliente que precisa comprar a comida do dia, e não tem dinheiro. Quando é alguém conhecido, Milão comenta que até deixa a pessoa pagar depois, coisa que não dá para fazer sempre porque quase já não existe lucro. Conforme o comerciante, com a elevação no preço das mercadorias, o lucro é mínimo. Na na maioria dos produtos da cesta, diz que não chega a 10%.
A aposentada Lucinda Paulina da Silva, 69 anos, mora na área central de Londrina mas prefere se deslocar até um mercado popular, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), para fazer o sacolão. Ela acha que os preços são mais baratos do que nos grandes mercados. Mesmo assim, para não gastar mais do que pode, ela nunca sai de casa sem a lista de compras. Por mês, Lucinda costuma fazer duas compras, uma a cada 15 dias.
Diferente da maioria da polulação, a dona de casa Maria de Lourdes, residente no Jardim Delta, ainda consegue fazer a compra do mês. Em outubro, gastou cerca de R$ 280,00 apenas com produtos da cesta básica e de higiene. Fora isso, ainda tem os gastos com a carne e as verduras. ''Do jeito que as coisas vão, estou com medo da próxima compra'', afirma.


