Famílias começam a deixar José Giordano
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de setembro de 1997
Lúcio Horta 
Londrina
Josoé de CarvalhoA contragostoTransferência começou ontem e deve terminar amanhã: maioria das famílias está insatisfeita com a mudança; outras prometem ficarA Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) começou ontem a levar as famílias de sem-teto que estão assentadas no jardim José Giordano (zona norte) para uma área no jardim Olímpico 2 (zona oeste). A transferência começou depois que terminaram as obras de infra-estrutura para receber as famílias, como ligações de água e de luz.
A saída dos sem-teto do José Giordano foi determinada depois que a Prefeitura conseguiu mandato de reintegração de posse contra os invasores, já que a área é considerada fundo de vale. O problema é que a maioria das famílias não quer ir para o Olímpico 2, alegando que o lugar é muito distante, violento e não oferece ao menos vagas para as crianças na escola. Das 46 famílias que ainda permanecem no local, apenas 15 tinham manifestado interesse na mudança.
Para lá eu não vou não. O lugar lá é ruim, não tem trabalho, estudo, transporte. Vou esperar a Justiça chegar aqui e ver o que se pode fazer, dizia Divaozir Soares dos Santos. Não é que eu não quero ir para o Olímpico. Eu não vou mesmo.
Nós vamos ficar por aqui mesmo. Vamos esperar e seja o que Deus quiser, dizia Rosineide da Silva, que mora junto com um filho doente e uma sobrinha. Segundo ela, os moradores até estão dispostos a pagar por um pedaço de terra, mas desde que seja uma área digna. É uma injustiça jogar a gente naquela pirambeira, critica.
A aposentada Lolita de Oliveira, que mora sozinha, resolveu tentar a sorte no novo assentamento e deve transferir o seu barraco ainda hoje. Mas não está nem um pouco satisfeita com a situação. O lugar é péssimo: ônibus demorado, não tem posto de saúde, não tem nada. Vou mesmo porque tenho medo que a polícia venha aqui e derrube o barraco, disse. Vou com o coração amarrado.
O assessor social da Cohab, Humberto Rodrigues de Lima, acredita que, apesar da insatisfação, a maioria das famílias deve seguir para a zona oeste. Procuramos várias áreas e a única disponível é no Olímpico, afirmou. Ele informou que até amanhã todas as famílias serão transferidas.


