Hoje, um dia antes do aniversário da chegada do casal Johannes e Anna Meister ao Brasil, em 1852, os descendentes da família se reúnem num almoço de confraternização em Curitiba. ‘‘Só nos encontramos em ocasiões tristes. Este almoço é para conhecermos os parentes e mantermos as raízes’’, diz Sílvia Meister, 46 anos, uma das organizadoras do evento. O casal - tataravós de Sílvia - veio da Suíça há 146 anos e desembarcou no porto de São Francisco (SC). ‘‘Queremos resgatar os anos que passamos sem contato.’’
Mais de 500 Meister devem estar presentes - de um total de 2 mil espalhados pelo Brasil. Parentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e também de outras partes do Paraná vieram a Curitiba. Para localizar todos os Meister do Brasil, Sílvia passou dois dias na Telepar, consultando as listas telefônicas do País inteiro. Além disso, colocou anúncios em jornal e mandou cartas para quem conhecia. O livro ‘‘Esses Maravilhosos Imigrantes, Nossos Avós’’, fruto de 30 anos de pesquisa da autora, Glaucia Meister Pimentel, 72 anos, também ajudou a localizar os familiares.
Segundo o sociólogo Ricardo Costa de Oliveira, as reuniões de família em busca das raízes é um fenômeno da globalização. ‘‘Em meio a tantas mercadorias e informações, as pessoas querem ter sua própria identidade, têm necessidade de saber quem são.’’
Outra família que está preparando seu primeiro encontro é a Wolff, de origem alemã. Rudolph e Bertha Wolff chegaram ao Brasil em 1865 e se instalaram em São Mateus do Sul (SC). No dia 15 de agosto, cerca de 300 de seus descendentes estarão reunidos - vindos do Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e do Paraná. ‘‘Estamos na quinta geração e eu mal conheço a terceira’’, diz uma das organizadoras do encontro, Glacy Wolff Bergold, 70 anos.
A família de origem italiana Olivo já vai para o quarto encontro em outubro. O primeiro foi em 1991, em Santa Catarina, para comemorar o centenário da imigração. Mil pessoas compareceram, vindas dos estados do Sul e até da Argentina.
Este ano, a reunião ocorrerá em Curitiba, com almoço, missa e distribuição de camisetas. Os Olivo mantêm até um jornalzinho para chamar a família, que começa a ser distribuído um ano antes da festa. Em outubro, Maristela Olivo Werner, 37 anos, espera 300 pessoas para a confraternização. ‘‘Somos italianos. Adoramos festa e damos valor à família.’’
Mais tradição ainda tem os Ferreira da Costa. Há mais de 80 anos, desde a época em que o patriarca Lysimaco Ferreira da Costa e sua mulher Esther eram vivos, a família se reúne anualmente para uma festa de Natal. Hoje, o encontro é organizado pelas irmãs Maria José, 82 anos, e Maria Josefina Franco Ferreira da Costa, 79 anos - filhas do casal. As duas passam o ano se preparando para a festa, que acontece no dia 25 de dezembro, no jardim da antiga chácara de Lysimaco - onde as irmãs moram atualmente. No Natal passado, 148 parentes compareceram.

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