A serenidade do sono do bebê, nascido há quatro dias, e ainda sem nome, contrasta com a dura realidade que a rodeia. Sua mãe, Rosana da Silva Andrade, 24 anos, contou que ontem, no horário do almoço, comeu macarrão, mas que ainda não sabe quando terá a próxima refeição. Ela, seu filho Guilherme, de dois anos, e o marido fazem parte das 80 famílias que moram no Jardim Marieta (região norte de Londrina) – invasão formada há pouco mais de um ano.
Ontem, moradores do local denunciaram à imprensa que não estão sendo assistidos pelo programa de cestas básicas do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). ‘‘Eles alegam que a nossa situação não está legalizada e que por isso não temos o direito de receber as cestas, conforme determinação da Cohab (Companhia de Habitação)’’,, disse Ailton Natalino, uma das lideranças do local.
No ano passado, eles foram convidados a se transferir para o Jardim Maracanã, mas recusaram. ‘‘Lá a violência é muito grande. Não teria sossego em deixar meus filhos brincando na rua’’, alegou Natalino. Casado, pai de três filhos, e desempregado há dois anos.
O gerente administrativo-financeiro da Cohab, Augusto Ermétio Dias Júnior, disse que nunca houve objeção contra a entrega de cestas. ‘‘O que recomendávamos era que se eles mudassem para o Maracanã teriam melhor assistência pela estrutura do local’’, disse.
A secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, informou que hoje uma assistente social estará no local para avaliar a situação das famílias. ‘‘No ano passado, ficou definido que eles mudariam e seriam atendidos no novo bairro. Como isso não aconteceu, vamos atendê-los onde estão. E se for necessário, serão distribuídas cestas de alimentos’’, garantiu.

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