Famílias carentes fogem dos aluguéis
Marcos Zanatta
Marco NegriniDesfavelamento e valorização imobiliária causam a fuga de famílias de baixa renda da cidadeA ausência de favelas e a valorização imobiliária de Maringá acaba empurrando as famílias de baixa renda para as cidades vizinhas, principalmente Sarandi (a 7 km) e Paiçandu (a 10 km), onde o aluguel chega a ser até 40% mais baixo. Com pouco mais de 60 mil habitantes, Sarandi é a cidade que mais sente a proximidade com Maringá. Apesar de ter um parque industrial forte, muitos trabalhadores dependem de empregos nas empresas de Maringá. Na Favela do Hélio, formada há cerca de nove anos, metade das famílias que moram nos 30 barracos saíram de Maringá.
A prefeitura proibiu a construção de novos barracos, mas segundo moradores mais antigos novas famílias continuam chegando. Alguns comprando os direitos e outros juntando com quem já mora aqui, conta Helena Dourado, que está na favela há quatro anos. O valor dos direitos sobre um barraco está em torno de R$ 50,00. Helena tem quatro filhos, morava em Maringá mas foi obrigada a sair da casa porque não conseguia mais pagar aluguel.
Os barracos não tem energia e a água foi ligada há poucos meses. Pelos cálculos dos moradores, são mais de 50 crianças que ficam o dia todo nas ruelas, sem ter o que fazer e o pior, o que comer. Segundo Rosana dos Santos, que morava na zona rural de Nova Tebas e está há um ano na Favela do Hélio, a prefeitura e entidades levavam comida, roupa e remédios para os favelados. Mas o pessoal começou a avançar e ninguém mais voltou aqui pra ajudar a gente, lamenta. Ela conta que a maioria dos homens e mesmo das mulheres que moram na favela não conseguem emprego.
Em Paiçandu, a situação é melhor. A cidade não tem favelas, apesar dos inúmeros conjuntos habitacionais com a mínima estrutura. Mais de 90% da população daqui é extremamente carente, diz o vice-prefeito Haroldo Françoso, que já administrou o município. Ele revela que apenas 55% dos contribuintes do IPTU pagaram o imposto no ano passado, e que a arrecadação com o tributo cobre três meses de salários do funcionalismo público.
Françoso explica que Paiçandu depende muito do ICMS e do Fundo de Participação, que estão cada dia menores. Ele diz que a maior parte das famílias que se mudam para a cidade vão procurar emprego em Maringá. Mas deixam os problemas sociais aqui, reclama. Os maiores problemas do município, segundo ele, estão na educação - que consome 60% do orçamento e a saúde. Recebemos R$ 28 mil e gastamos R$ 100 mil por mês para a saúde. Por isso privatizamos o hospital municipal, lamenta Françoso.





