Famílias antecipam ocupação de fazenda
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Paulo Pegoraro, de Cascavel 
Famílias de agricultores que terão terras alagadas nas margens do Rio Iguaçu, com a construção da Usina de Salto Caxias, começaram a ocupar na tarde de ontem a Fazenda Piquiri, em Cascavel, onde só deveriam ser reassentadas pela Copel no final do ano.
A ocupação, feita sob frio e chuva, foi decidida devido ao impasse com a Prefeitura de Cascavel, que quer construir no local o novo aeroporto da cidade.
Estamos apenas garantindo direitos legais que temos, disse José Uliano Camilo, coordenador da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi).
O atual prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB) baixou em 91, em seu primeiro mandato, decreto declarando de interesse para fim de desapropriação 90 dos 2,73 mil alqueires da Fazenda Piquiri (a 15 quilômetros da cidade e à margem da BR-369), para construção do aeroporto.
O decreto municipal nunca chegou a ser colocado em prática.
Em março de 96, o governo do Estado desapropriou toda a área, pagando R$ 20 milhões, para a Copel reassentar 235 famílias - outras fazendas na região abrigarão as demais.
Há dois meses, quando a Copel iniciava a preparação da infra-estrutura na fazenda, Salazar Barreiros anunciou a etapa final preparatória para o início das obras do aeroporto, em parceria com o Estado e com custo de aproximadamente R$ 20 milhões.
Os agricultores dizem que jamais foram informados sobre a construção do aeroporto no local.
O gerente da Coordenadoria de Impacto Ambiental da Copel, engenheiro Antonio Fonseca dos Santos, disse ontem que o bom senso deveria prevalecer, com a busca de alternativas para o aeroporto ou para o reassentamento.
A Copel se dispôs a participar diretamente do estudo de opções. O problema é que virou um caso político e nós só atuamos como técnicos, observou, acrescentando que a radicalização não é adequada para o momento.
Informado da ação das famílias, o prefeito Salazar Barreiros comentou: Ela (a ação) estabelece linguagem estranha, pois defendo o diálogo.
Mas disse quenada poderia fazer, porque a área não é do Município. Para a Copel, a confusão é prejudicial, pois o cronograma de reassentamento é apertado, segundo Antonio Fonseca dos Santos.
As famílias devem ser transferidas até 6 meses antes do fechamento das comportas de Salto Caxias, no final de 98. Copel e Crabi consideram o programa de reassentamento como de Primeiro Mundo, por contemplar todas as exigências, inclusive da legislação ambiental.


