Marcos BorgesÁrea verdeFamílias na mata ao lado do conjunto Aquiles Sthenghel: Federação das Favelas não aprovou a invasãoMembros de cinco famílias arrebentaram o arame farpado, queimaram parte do pasto, cortaram algumas árvores e iniciaram, na manhã de ontem, a invasão da mata nativa de um sítio que pertence à Sena Construtora, no fundo de vale do córrego Sem Dúvida, ao lado do conjunto habitacional Aquiles Sthenghel Guimarães (zona norte).
Os invasores alegam que têm famílias, estão desempregados, vivem de biscates e não conseguem mais pagar o aluguel das casas populares em que moram. Eles pretendiam começar a montagem de barracos ainda durante este final de semana prolongado. Mas foram convencidos a desistir da idéia por moradores do assentamento existente entre a mata e o Aquiles Stenghel e por líderes da Federação das Associações de Moradores em Favelas e Assentamentos de Londrina.
‘‘Esta invasão não leva a nada. Nossa federação não apóia esta tentativa. Sabemos que o problema da falta de moradia é grave em nossa Cidade, mas não é invadindo matas nativas, áreas de proteção natural, que vamos resolvê-lo’’, afirma o presidente da Federação, José Ricardo da Silva.
Ele disse que havia tentado contato com diretores da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), que não foi conseguido porque a Cohab não abriu ontem em virtude do feriado.
A movimentação das famílias que invadiram a mata durou toda a manhã. O líder do assentamento vizinho - iniciado em julho do ano passado, em terreno público -, Rogério de Oliveira, conhecido como Tarzan, esteve no local em que os invasores pretendiam levantar instalar os barracos. ‘‘Entrar no sítio não é o ideal, mas essa gente também tem que ter direito a moradia. Essa terra está aí há anos, improdutiva, sem servir para ninguém. Não dá para a gente impedir a entrada deles na área; o que vamos evitar é a derrubada das árvores grandes e a construção de barracos muito perto do córrego’’, comenta Tarzan.
No final da tarde de ontem, quatro das cinco famílias já haviam desistido da invasão. Apenas uma mantinha a ameaça de prosseguir a invasão durante o fim de semana. Técnicos da Autarquia do Meio Ambiente (AMA) estiveram no local, conversaram com os invasores e negociaram a suspensão do movimento. Mesmo assim, os técnicos permanecerão de plantão na área durante este final de semana prolongado, segundo o diretor de Operações da AMA, Júlio Bittencourt.
De acordo com ele, aquela mata nativa será transformada em bosque municipal, assim que for concluído o processo de doação da Sena Construtora à Prefeitura de Londrina. ‘‘Em hipótese alguma permitiremos a invasão desta área. Apesar de ainda particular, ela é de preservação permanente e será transformada em reserva florestal. A invasão e depredação desta mata seria um crime inaceitável’’, ressalta Bittencourt.
O proprietário da Sena Construtora, Max Lobato Sales, confirma que a mata - cerca de 30 mil metros quadrados dentro de um sítio de 240 mil - está mesmo em processo de doação ao município, para fins de proteção ambiental. O sítio, que será loteado em breve, foi comprado por Max Sales há menos de um ano. O loteamento, com cerca de 400 terrenos, será beneficiado no futuro pela construção da Perimetral Norte - contorno que tirará da Cidade o movimento de caminhões, ônibus e automóveis que vêm de São Paulo pela BR-369, em direção a Maringá, Foz do Iguaçu e Paraguai.

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