Já vai fazer um ano e as lembranças continuam rondando a cabeça da auxiliar de serviços gerais, Ondina Aparecida Gonçalves de Oliveira. Em seis de dezembro de 2005, à 1h30, ela precisou juntar a família, algumas roupas e sair de casa, debaixo de chuva. A residência dela estava entre as cinco do Conjunto Violin (Zona Norte) que, na época, foram interditadas pela Defesa Civil com risco de desabamento. As chuvas constantes da época tornaram os imóveis perigosos. Até agora, ela não recebeu qualquer indenização ou alternativa para a falta de moradia.
''Estou morando de favor na casa do meu irmão. Não gosto de lembrar daquela noite, até porque tive que cuidar de tudo sem poder contar com o meu marido, que estava, fazia quatro meses, na UTI'', conta.
A casa onde ela morava com a família foi avaliada em R$ 23 mil, mas Ondina afirma que com este valor não conseguirá comprar outro imóvel. ''Queria um lugar para mim. Ter casa é tudo que a gente busca nesta vida'', se emociona.
Atualmente, a residência está abandonada e foi destruída por vândalos. Ela garante que o imóvel está quitado, mas a escritura - exigência da prefeitura, para liberar a indenização - está emperrada, pois com o falecimento do marido, o documento precisou ser refeito. ''No começo, a Cohab dizia que ia ajudar no que podia. Depois, o pessoal da prefeitura falou a mesma coisa. Até agora, ninguém fez nada''.
A dona-de-casa Luzia de Jesus Soares também aguarda uma solução para o imóvel dela, que está em situação precária. Assim como Ondina, a casa dela também foi interditada na mesma época pela Defesa Civil. ''Eu ainda não tive que sair de lá, mas já perdi colchões, guarda-roupas, estante e até um rádio'', enumera. Junto com ela moram cinco pessoas, que em dia de chuva, se mobilizam para evitar que mais móveis e eletrodomésticos estraguem. Das cinco casas interditadas, a dela e de mais duas famílias ainda não foram desocupadas.
De acordo com o presidente da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, das cinco casas interditadas, apenas duas já estão com a escritura pronta e hipoteca quitada, critérios básicos para a indenização. ''Outras duas estão quitadas, mas sem escritura, e a última nem com as parcelas quitadas está'', resume.
Ele afirmou que a indenização será paga pela Secretaria da Fazenda do município. ''Como estava tudo paralisado em função da greve, imagino que o dinheiro não saiu por este motivo. Mas estas duas famílias que estão com a documentação em ordem devem receber em breve'', garantiu.

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