Famílias adotam a coleta de células-tronco
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
O desejo de garantir um futuro mais tranquilo e mais saudável aos filhos tem levado alguns casais londrinenses a aderirem a uma técnica ainda pouco acessível para a maioria da população, mas considerada uma das coqueluches da medicina moderna: a coleta, na hora do parto, de células-tronco contidas no sangue do cordão umbilical. Estas preciosas células têm o poder de se desenvolver em qualquer tipo de tecido dos órgãos do corpo humano, e depois de coletadas são congeladas e armazenadas em conteineres de nitrogênio líquido. As pesquisas indicam que elas terão, em um futuro próximo, uso ilimitado no tratamento de doenças.
O serviço começou a ser ofertado em Londrina há um ano, pelo Instituto de Hematologia de Londrina (IHEL), e de março para cá, quando a técnica passou a ser melhor divulgada, têm sido feitas de cinco a seis coletas por mês. O preço é limitador: R$ 2,5 mil pelo trabalho realizado na hora do parto e uma taxa de R$ 580,00 por ano pela manutenção do material no banco de sangue de cordão umbilical do Instituto de Hematologia do Nordeste, parceiro do IHEL na iniciativa.
Segundo o médico hematologista Rodolfo Calixto, diretor técnico do banco do instituto nordestino, há três fontes de células-tronco no organismo humano: o embrião, o cordão umbilical e a medula óssea. No caso das células embrionárias, a permissão de estudos envolvendo o seu uso no tratamento de doenças ainda está em discussão na Câmara Federal. Atualmente, portanto, são permitidas apenas pesquisas envolvendo células extraídas do cordão umbilical e da medula.
Para o hematologista, a grande vantagem da coleta no momento do parto é a facilidade do procedimento. ''Para a mãe e para o bebê, o parto acontece normalmente. A única diferença é que uma equipe estará ali para fazer a coleta do material logo após a retirada da placenta.''
Atualmente as células-tronco são consideradas uma esperança contra enfermidades como o diabetes, mal de Chagas, esclerose múltipla e doenças cardíacas. No caso da leucemia, tipo de câncer que acomete acima de tudo crianças, o médico esclarece que os bancos públicos de cordão umbilical, que vêm sendo construídos pelo Governo federal, teriam mais eficácia. ''Só em casos muito severos da doença é preciso fazer transplante de medula óssea, e nestas ocasiões, o uso autólogo (utilização das células do próprio organismo) não tem efeito muito satisfatório. Isto porque os linfócitos não terão o mesmo poder de destruição das células doentes que teriam os linfócitos coletados no organismo de outra pessoa.''
Segundo a diretora administrativa do banco de sangue de cordão umbilical do IHEL, Juliana Calixto, o serviço tem sido muito procurado pela classe médica, que acompanha de perto os avanços das pesquisas na área. ''O que mais atrai os futuros pais é a garantia de ter células disponíveis no caso de necessidade, com a segurança de que não haverá rejeição por parte do organismo.'' Ela lembra que se trata de um material precioso, que normalmente é descartado após o parto.
Aos casais que pretendem fazer a coleta, Juliana recomenda que a decisão seja tomada com uma certa antecedência. ''O procedimento exige uma programação de nossa parte. É preciso que, caso haja um imprevisto e o bebê nascer antes do previsto, por exemplo, uma equipe esteja disponível para realizar a coleta.'' Ela informa ainda que é assinado um contrato entre as partes, prevendo um período mínimo de 10 anos de conservação das células.


