Luciane TononMobilizaçãoPara pressionar o Incra, o MST organizou um acampamento às margens da BR-316, em Sapopema; expectativa é de reunir 300 famílias até a semana que vemSAPOPEMA - Pelo menos 300 famílias devem estar acampadas, até o final da semana que vem, às margens da BR-316, em Sapopema (132 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio). Elas engrossam mobilização desencadeada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Norte Pioneiro. Cerca de 80 famílias já ocupavam o local no início da semana e mais sem-terra montavam barracos. A aglomeração de famílias, que começou sábado, tenta viabilizar novos assentamentos em áreas da região pelo Incra.
‘‘Vamos chamar o Incra para uma negociação, uma vez que sabemos que a região tem terras para assentamento e as providências estão demorando para serem tomadas’’, disse o líder regional do MST, Luiz Alonso Sales. Segundo ele, o município de Sapopema teria 35 mil alqueires de terras improdutivas.
O superintendente-adjunto do Incra, Carlos Almeida, informou que o corpo técnico do instituto está vistoriando terras em todo o Estado. ‘‘Por enquanto não podemos afirmar nada em relação à possíveis áreas. As famílias ainda precisam ter um pouco mais de paciência’’, disse.
A mobilização de sem-terra em Sapopema deverá durar 30 dias. Os acampados receberam algumas doações de alimentos para uma prazo de apenas 10 dias. ‘‘Eu tenho 10 filhos e nem um palmo de terra para trabalhar e sustentar eles’’, reclamou o acampado Moacir Biscaia, 50 anos.
As famílias concentradas no acampamento estão dividindo seus barracos com outras. Os barracos estão espalhados ao longo da rodovia, a poucos metros do acostamento. A rodovia tem um fluxo médio de 1,5 mil veículos por dia. ‘‘A idéia é não incomodar ninguém. Só queremos um pedaço de terra’’, afirmou o acampado Paulo Dutra, 48 anos e pai de 10 filhos.
O dono da propriedade ao lado do acampamento, Ronaldo Guerreira, cedeu madeira para a montagem das barracas. Ele também colocou sua propriedade de 10 alqueires à disposição para negociações com o Incra. Porém, segundo o líder do movimento, 10 alqueires não são suficientes sequer para abrigar duas famílias.
A Prefeitura de Sapopema presta atendimento básico de saúde, higiene e limpeza da área. ‘‘A saúde é responsabilidade do município e eles estando aqui dentro não temos porque negar o atendimento’’, diz o prefeito Cloves da Costa Moraes (PMDB).

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