Famílias abandonaram a afetividade
Josué de CarvalhoA professora Ivani Ruiz, com os filhos Bruno e Paulo: Infelizmente, fomos deixando nossas crianças em segundo planoÉ uma grande coincidência dar esta entrevista para falar sobre a Vir a Ser, porque foi por meio de uma reportagem da Folha, há cerca de três anos, que tive o primeiro contato com ela, que na época nem existia. A notícia era sobre uma palestra do psicólogo Ivan Capelatto, que viera falar em uma cidade vizinha sobre o valor da afetividade na relação de pais e filhos. Fiquei frustrada porque era isto que eu estava procurando, e não havia ido àquela palestra. Fiz contatos com os organizadores, e estive presente na palestra seguinte de Capelatto em Londrina. Foi assim que conheci a psicóloga Eliana Louvison, organizadora da ONG, e pudemos dar início a uma mudança radical para melhor na forma de viver de nossa família.
Esta afirmação é da professora Ivani Messas Ruiz, que é casada com o advogado e comerciante Paulo Ruiz. O casal tem dois filhos: Bruno, 16 anos, e Paulo Arthur, 13. Ela ainda não é integrante da Vir a Ser, mas teve bastante contato com a ONG através de diversas palestras que assistiu e de um aconselhamento psicológico que recebeu, juntamente com seu marido, na clínica de Eliana Louvison durante quase dois anos.
Ivani Ruiz conta que a necessidade de aprender mais sobre a relação entre pais e filhos, sobre a problemática familiar, cresceu com a chegada da adolescência dos filhos. Também tinha vontade de aprender mais para poder educar melhor, até porque é comum os problemas das famílias estourarem nas escolas, na frente dos professores, ressalta ela, que é alfabetizadora em uma escola estadual de 1º grau há 24 anos.
Para nós, esta experiência foi ótima, muito benéfica. Aprendemos a entender as diferentes fases do crescimento psicológico das crianças, as suas características e necessidades básicas. Entendemos, por exemplo, que o medo é um sentimento natural e saudável, comenta a mãe. Segundo ela, os psicólogos da ONG a fizeram enxergar nos filhos uma prioridade de vida. As pessoas estão muito preocupadas em ter, e não em ser. Devemos deixar de brigar com nossas ansiedades, nossas angústias, para viver melhor.
Na opinião de Ivani Ruiz, as famílias contemporâneas foram abandonando a formação dos filhos, a intimidade entre pais e filhos, dispensando maior tempo ao trabalho, à profissão e às questões sociais. Nossa geração tentou fazer muitas mudanças na estrutura da família, mas não deu conta e literalmente quebrou a cara. Nossos avós e pais foram mais tranquilos e felizes na formação de seus filhos. Nós, infelizmente, fomos aos poucos deixando nossos filhos em segundo plano; este foi um erro grave, ressalta.
De acordo com ela, estas mudanças geraram muita angústia nos pais e nos filhos. Nós fomos trabalhar mais e enchemos nossos filhos de atividades. A consequência direta disto foi a regressão da saúde mental da família. Foi com as palestras e os psicólogos da ONG que resgatei esta relação afetiva e íntima com os meus filhos como prioridade. Estou muito feliz por ter feito esta descoberta, esta reflexão num momento tão importante da formação de meus filhos.
A professora adianta que pretende, em breve, se integrar a um dos projetos do Vir a Ser, para poder colaborar com outros pais e famílias, na busca de melhor qualidade de vida e da felicidade. Para mim e meu marido, o resgate da intimidade, da afetividade com nossos filhos foi um exercício difícil, mas necessário e com ótimo resultado. Foi a cura para uma terrível doença. Agora, me disponho com prazer a participar da ONG - que em muito me beneficiou -, para repassar esta experiência a quem ela possa ser útil, diz Ivani Ruiz. (O.C.)





