A capela mortuária da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), na Avenida Juscelino Kubitscheck (Área Central), que deveria inspirar tranquilidade para parentes e amigos que prestam as últimas homenagens a um falecido, está despertando insegurança à noite e na madrugada. O problema vem provocando situações insólitas de famílias irem para casa, com medo de assaltos e furtos, deixando o morto sozinho. Sem vigilância noturna na capela, há cerca de dois meses, a administração está providenciando a contratação emergencial de vigias para o local.
Uma senhora, que não quis se identificar, disse que perdeu o irmão de 83 anos e, avisada por amigos da falta de segurança, preferiu não arriscar. ''Eu fiquei um tempo sozinha com o corpo do meu irmão, só com meus dois filhos. Depois chegou uma amiga. Me contaram do assalto que teve lá. Depois chegou mais gente da minha família e todos falando dos assaltos e me dizendo que não dava para ficar lá'', relatou. ''Eu queria tanto ficar lá mas minha família achou melhor a gente ir embora. Então falei com uma funcionária, ela tirou a placa, fechou tudo. Não pude nem velar meu irmão, que coisa mais triste!'', lamentou.
A mulher contou que no dia seguinte voltou à capela. ''Eu queria ir lá às 6 horas mas estava escuro, fiquei com medo e só fui às 7 horas. Lá não tem vigia, nem guarda, as portas não fecham. A gente fica sem segurança nenhuma'', desabafou.
Funcionários da Acesf, que também preferiram não se identificar, disseram que até dois meses atrás, dois vigias se revezavam na segurança da capela. Um deles confirmou a ocorrência de assaltos e furtos aos veículos estacionados na região. ''Acontecem vários assaltos aqui e não é somente à noite. Eu mesmo já deixei o meu carro estacionado aqui de manhã e à tarde, quando voltei, tinham levado o toca-CD'', relatou. Ele afirma, porém, que não é só o medo que faz com que as famílias não realizem o velório à noite. ''Algumas famílias vêm para cá cansadas e pedem para a gente fechar a capela, voltando no outro dia para o enterro'', completou.
A camareira Lucinéia Pires, 39 anos, moradora no Jardim Santa Rita (Zona Oeste), que participava de um velório, também reclamou da falta segurança. ''Não estão respeitando mais nem os mortos; entram pessoas estranhas ao velório'', relatou.
Rosinéia Pires, 28 anos, moradora do Jardim Ana Rosa, em Cambé (13 km a Oeste de Londrina), é da mesma opinião. ''O portão fica aberto o tempo todo. Se tivesse pelo menos um guarda aqui, a situação melhorava'', sugeriu.
O superintendente da Acesf, Sérgio Plínio, disse que não tem conhecimento sobre alguma família que não tenha velado um parente, com medo da falta de segurança. ''Tínhamos uma empresa, que deixou de fazer a segurança. Estamos em andamento com um contrato emergencial para que, depois, possamos fazer um processo de licitação'', afirmou Plínio, não sabendo informar quando os novos vigias começam a trabalhar.

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