Familiares protestam contra falta de remédio
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quinta-feira, 21 de março de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O soldador Michel Souza, de 35 anos, tem um filho de dois anos e meio que luta contra a leucemia. No entanto, o medicamento que ele utiliza, o asparaginase, deixará de ser fabricado por uma indústria estrangeira e não há nenhum outro no mercado brasileiro que possa ser adotado em sua substituição. Para sensibilizar as autoridades a tomar providências antes que o produto se esgote, um grupo de 70 pessoas, entre familiares e amigos de pacientes, realizará um protesto e a coleta de assinaturas neste sábado, às 9 horas, no Calçadão, área central de Londrina.
"Queremos que o governo providencie a prorrogação da fabricação até que consiga um outro laboratório que fabrique um medicamento que substitua a Asparaginase e também que altere a legislação para possibilitar a importação de medicamentos similares", reivindicou Souza.
O soldador explicou que seu filho está em tratamento desde junho do ano passado. Ele ressaltou que se por qualquer motivo o tratamento for interrompido, todo o processo deverá ser retomado do início. "Mas se não tiver mais a Asparaginase, nem essa retomada do tratamento poderá ser feita, pois ela é ministrada tanto no início, quanto no meio e no fim do tratamento", observou.
Souza espera que a sociedade abrace a causa, já que a asparaginase é utilizada no tratamento da leucemia linfocítica aguda (LLA), que atinge principalmente crianças. No dia 13 deste mês a FOLHA publicou uma reportagem que apontava que o Hospital do Câncer de Londrina possuía apenas oito caixas em estoque, o suficiente para 15 dias.
O desabastecimento da asparaginase em vários serviços médicos do País levou a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) a elaborar um documento sugerindo que o governo importe drogas já utilizadas em países da Europa e nos Estados Unidos.
O MS informou que está em contato com o laboratório Bagô, único fornecedor do asparaginase no Brasil, que garantiu ter estoque suficiente do medicamento para abastecer a demanda do País neste primeiro semestre de 2013. Para o período posterior, o ministério já está viabilizando a compra internacional do produto com outro fornecedor. Além disso, articula parceria entre laboratórios públicos e privados para a produção nacional do medicamento.


