Familiares prestam homenagem aos parentes que partiram
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terça-feira, 03 de novembro de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local
A aposentada Leonilde da Graça Maia de Souza, 61 anos, esteve ontem no Cemitério Jardim da Saudade, na zona norte de Londrina, para rezar pelo marido e o filho sepultados no local. Ela aproveitou para acender velas no novo cruzeiro construído no cemitério. A estimativa da Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) é de que quase 200 mil pessoas tenham passado pelos 13 cemitérios da cidade - cinco urbanos e oito rurais - entre domingo e ontem.
No Jardim da Saudade o movimento foi intenso durante todo o dia. O cemitério está em reformas e recebeu melhorias na rede de esgoto, além de novas calçadas. As obras agradaram os visitantes. O segurança Pedro Rodrigo de Lima, 71, elogiou o novo cruzeiro e as benfeitorias. "Não tenho do que reclamar. Não tem barro e durante a semana, quando vim limpar os túmulos, não tive problema com falta de água. E o novo cruzeiro ficou muito bonito", ressaltou Lima.
O cruzeiro foi construído em um amplo espaço no centro do cemitério. Além de acender velas, as pessoas depositaram flores no local. O casal Waldemir Lopes de Jesus, 50, mecânico, e Ilza do Carmo, 52, cozinheira, rezaram no cruzeiro pelos entes queridos que estão sepultados em outros locais. A mãe do mecânico morreu há 30 anos e foi sepultada em Tamarana, e o pai de Ilza, falecido há 40 anos, está em Sertanópolis.
"Quando a gente acende as velas aqui reza por tudo mundo. Aqueles que estão aqui e os que não estão também", disse o mecânico. Este ano, a visita ao cemitério teve uma emoção a mais para Jesus. Pela primeira vez Ilza levou um vaso de flores para a sogra, que ela não conheceu. "Estou casado há 27 anos, ela não conheceu minha mulher. A saudade é grande e sempre que a minha filha sai de casa eu peço que ela (a mãe) a abençoe", confessou.
A cozinheira contou que sempre rezou pela alma da sogra, mas que este ano sentiu no coração a necessidade de levar flores brancas para ela. "Mando rezar missa para ela, mas nunca tinha passado pela minha cabeça trazer flores. Mas este ano senti isso no coração."
O movimento de Finados também impulsionou o comércio. Desde cedo, os vendedores ambulantes montaram barracas nos arredores dos cemitérios. O vendedor Osvaldo Américo de Oliveira chegou às 4 horas da manhã no Jardim da Saudade e até o meio da tarde já tinha vendido 2,5 mil vasos de flores. "Este ano foi melhor do que o ano passado."
No Cemitério São Pedro, na região central, o movimento maior foi pela manhã, quando foi celebrada uma missa. O cruzeiro também foi o local mais procurado pelos visitantes. O servidor da Acesf Gedeão da Silva monitorou o local durante a tarde para evitar que o excesso de velas pudesse provocar um incêndio. "Teve um ano que era tanta vela e flores que incendiou tudo. Agora, fico aqui de plantão. Temos quatro extintores de incêndios caso seja necessário."
A massoterapeuta Maria Gonçalvez, 56, preferiu fazer suas orações longe do cruzeiro. "Sou mais reservada. Prefiro ficar quietinha, fazendo as minhas homenagens. Para quem tem pai e mãe mortos, Dia de Finados é todo dia. Não dou flores em morte, só dou em vida", comentou Maria.