Familiares estão inconformados
Curitiba - As famílias das duas crianças mortas no acidente estão incorformadas. Ontem, elas acompanharam os enterros - que foram realizados separadamente - no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro Fazendinha, zona Sul de Curitiba.
O sargento do Exército, Luís Silva, pai de uma das vítimas (Luís Eduardo), contou os detalhes da festa. ''Meu filho estava brincando todo animado. Não imaginava que poderia ter algum problema de segurança lá. Até porque sempre cuidei tanto disso... No carro, quando ele não queria colocar o cinto de segurança, eu orientava para que colocasse, com medo de acidentes'', relatou.
O menino teria chamado a atenção da mãe por várias vezes para ver como ele conseguia pular no brinquedo. ''De repente veio um vento forte e o brinquedo foi arrancado inteiro do chão. As duas crianças voaram. Eu tentei fazer tudo o que podia. Fiz respiração boca-boca, massagem no peito. Tudo por 20 minutos pelo menos. Eu vi que era seguro lá. Achei que era. Se não fosse assim, acho que iria me culpar pelo resto da vida. Cuidava sempre para que ele ficasse bem. Não podia imaginar uma fatalidade destas'', relatou. Os amigos tentavam dar conforto ao sargento, dizendo que ele fez tudo o que poderia para salvar o menino.
O consultor médico da ONG Criança Segura, Marcelo Ribas Alves, informou que jamais teve registro de qualquer acidente envolvendo brinquedos infláveis no Estado. ''Foi uma fatalidade. Eram brinquedos grandes. Os bombeiros comentaram que não estavam fixados da forma correta. Mas nunca ocorreu antes de tombar um brinquedo assim'', disse Alves. A recomendação dele é que os pais evitem colocar os filhos em brinquedos altos, com mais de 1,5 metro. ''Uma queda de um brinquedo alto pode ocasionar traumatismo encefalo-craniano'', informou.
A FOLHA ligou ontem para o Instituto Meteorológico do Paraná (Simepar) para saber sobre os ventos de anteontem. O meteorologista Fernando Mendes informou que não existe qualquer registro de ventos fortes na região do Portão, em Curitiba, ou em qualquer outro bairro. ''Não existe evidência de que tenha ocorrido algo. É prudente esperar a perícia técnica. O que posso dizer é que não temos registro, mas pode ocorrer o que chamamos de micro-meteorologia - um evento localizado de pequena escala'', comentou o meteorologista.
Em nota à imprensa, a Siemens informou que lamenta o ocorrido. A empresa, juntamente com as autoridades responsáveis, estaria trabalhando ininterruptamente para apurar a causa do acidente e prestar todo o auxílio às vítimas e suas famílias. A nota informa que as autoridades competentes compareceram na sede da Associação para fazer o levantamento das circunstâncias que causaram o acidente.(L.P.)





