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Londrina

CHOPP E MÚSICA 5m de leitura Atualizado em 16/11/2021, 12:28

Familiares e amigos tomam chopp e cantam em velório festivo em Londrina

Eles realizaram o desejo do médico Mansur Miguel Mitne de fazer a despedida com uma celebração "Com ele nunca houve tristeza. Ele levantava e ia dormir feliz", contou o genro, Valdecir Rospirski

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Imagem ilustrativa da imagem Familiares e amigos tomam chopp e cantam em velório festivo em Londrina
|  Foto: Arquivo pessoal
 

As capelas da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários) em Londrina sediaram um velório, no mínimo, curioso nesta terça-feira (9). Amigos e familiares do médico Mansur Miguel Mitne cumpriram um de seus desejos em vida e promoveram uma celebração com chopp e música. 

A arte com o anúncio do falecimento convidava para o “velório festivo”, das 14h às 16h, ao lado de uma foto de Mitne com uma taça de cerveja. No texto em memória do médico, a explicação: “Iremos comemorar os ensinamentos que ele nos deixou, como amigo, médico, pai, ser humano, etc… Felicidade é o resumo… Vamos festejar mais este momento da vida dele, obrigado por tudo, nosso ídolo.”

 

Vídeos em que pessoas enchiam os copos de chopp ao som de música alegre viralizaram nas redes sociais. No momento do enterro, houve champanhe e a solenidade ocorreu sob coro de "O que é, o que é", música de Gonzaguinha imortalizada pelos versos ""Viver e não ter a vergonha/ De ser feliz/ Cantar, e cantar, e cantar/ A beleza de ser um eterno aprendiz".

Reprodução do "convite" para o velório de Mitne. Superintendente da Acesf, Péricles Deliberador, diz que a situação foi  "curiosa"
Reprodução do "convite" para o velório de Mitne. Superintendente da Acesf, Péricles Deliberador, diz que a situação foi "curiosa" |  Foto: Reprodução
 

Valdecir Rospirski, genro de Mitne, comenta o quanto o sogro era divertido, alegre. "Com ele nunca houve tristeza. Ele levantava e ia dormir feliz. Com certeza, ele teve uma vida muito feliz e todos que viveram ao redor dele, sem exceção, foram muito felizes também, incluindo os pacientes. Ele ajudou muitas famílias, especialmente quando tinha seu consultório", conta. 

O superintendente da Acesf, Péricles Deliberador, admite que a situação é curiosa, mas que os familiares e amigos “só fizeram o que o falecido pediu”. Ele disse que não sabia do pedido e tomou conhecimento do velório festivo no decorrer da situação. “Nós, funcionários, não participamos dos velórios”, explica. Entretanto, o som incomodou outra capela e, quando houve a reclamação, Deliberador pediu que o volume do som fosse reduzido. Entretanto, já era próximo do horário do enterro.

Segundo Deliberador, não há irregularidade na atitude, uma vez que devem ser respeitadas todas as crenças e religiões. “Há velórios católicos e evangélicos com cantos, orações, às vezes, música. Só não pode incomodar os enlutados das outras capelas, nem danificar o patrimônio público, o que não houve”, afirma o superintendente.

Mitne morreu aos 73 anos, em Londrina, na noite de segunda-feira (8). Seu velório ocorreu na tarde desta terça, na capela 1 da Acesf, e seu corpo, enterrado no Cemitério São Pedro, também em Londrina. Mitne se formou em 1975 pela Universidade de Mogi das Cruzes (SP), morava em Ibaiti, era viúvo e deixa dois filhos. Foi candidato a vereador em Ibaiti em 2012 e anos antes, em 2006, foi candidato a deputado estadual. "Não se elegeu por um número muito pequeno de votos, como na eleição para prefeito", comenta o genro.

BEBER O MORTO

Segundo uma coluna da historiadora Joana Monteleone, chamada “A cachaça, os velórios e o ato de beber o morto”, publicada em dezembro de 2020 no portal Brasil de Fato, o ato de “beber o morto” consistia no hábito de tomar cachaça, durante a noite do velório, relembrando casos passados com a pessoa que partiu, misturando risos e choros de saudades. Muito comum, de acordo com ela, há até 50 anos, o hábito se perdeu na correria dos dias de hoje, o que provoca estranhamento em casos assim. (Colaborou Micaela Orikasa)

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