Familiares de vítimas pedem apoio à relatora da ONU
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quarta-feira, 17 de setembro de 2003
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Representantes do Movimento de Familiares de Mulheres Mortas de Almirante Tamandaré e Região se reuniram, na manhã de ontem, em Brasília, com a relatora especial da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para execuções arbitrárias, sumárias e extrajudiciais, Asma Jahangir. A comissão entregou documentos um volume de 500 páginas que fazem parte das investigações, feitas pelo Ministério Público (MP), sobre os assassinatos.
No período da tarde, os representantes do movimento e a relatora da ONU se reuniram com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. O encontro serviu para buscar o apoio dos deputados na questão dos crimes de Almirante Tamandaré na Região Metropolitana de Curitiba.
Com apoio da organização não-governamental (ONG) Justiça Global, os moradores de Almirante Tamandaré a maioria parentes das vítimas de uma suposta quadrilha de execuçã já haviam alertado a ONU sobre os casos de assassinato sem solução.
Asma deve ficar no Brasil até o dia 8 de outubro para investigar denúncias de abuso, violência e de assassinatos cometidos por policiais e agentes do governo. O resultado desse trabalho será apresentado na 60ª sessão da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que acontece em março de 2004.
De acordo com o vereador de Almirante Tamandaré, Luiz Piva (PT), a expectativa é que a ONU pressione os governos federal e estadual para que invistam na estruturação das instituições de segurança pública. Ele acredita que a atuação do crime organizado é motivada pela impunidade que, segundo ele, é resultado do sucateamento das instituições.
Os casos de mortes em Tamandaré se tornaram cinco processos penais. Três deles já resultaram na prisão de 20 pessoas acusadas de envolvimento com a quadrilha de extermínio. Um dos processos, que envolve 17 pessoas denunciadas pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), ainda depende da manifestação das testemunhas de defesa e das alegações finais.
Em outra ação penal, que envolve três pessoas acusadas de participação na morte de Susana de Moura Gazani, está pendente a alegação da defesa. Nesse caso, o MP já se manifestou favorável à condenação. O terceiro processo ainda está na fase de depoimentos das testemunhas de acusação. Além de Susana, os processos em andamento envolvem aindaas mortes de Maria da Luz Alves dos Santos e Joyce Katolick Devitte.


