Familiares de Victor Hugo protestam em frente à escola
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segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Alunos da Escola Municipal Prof. Bento Munhoz da Rocha Neto, no Distrito de Lerroville (Zona Sul de Londrina) e familiares de Victor Hugo Ferreira Silvestre, 15 anos, morto em uma cerca eletrificada instalada irregularmente no muro do colégio, protestaram ontem pela manhã contra a morosidade no julgamento do caso.
Com faixas e cartazes, eles também culpavam o ex-diretor da escola Renilson Machado do Nascimento, pelo acidente fatal. ''A Justiça precisa agir. A investigação tem de ser feita por completo. Quem for o responsável deve ser julgado pelo que fez'', afirmava com veemência a mãe de Victo Hugo, Irene Alves Ferreira Silvestre.
Por volta das 7h30 de ontem, ela e a filha de 14 anos esperavam a entrada dos alunos da escola para poder estender o material de protesto. Chegaram a trancar com cadeado o portão principal da escola. Mas, em acordo com a diretora, liberaram a entrada e aguardaram os alunos que quisessem participar do ato.
Depois de feitas as orações e cantar o hino nacional, os alunos mais velhos alguns colegas de turma de Victor Hugo ficaram em frente ao colégio segurando as faixas e os cartazes. Durante a execução do hino nacional, Irene se emocionou. Disse que, ao ver todas aquelas crianças, lembrou do filho. ''Ele era assim, cheio de alegria. Era um companheiro. Dizia que ia trabalhar e que tudo que conseguisse iria dividir comigo em casa. Ele me faz muita falta'', lamenta. ''Era um cara muito brincalhão. Até acho que ele vacilou em subir no muro, mas aqui não é prisão. Não tinha que ter cerca eletrificada'', acrescentou um dos colegas de Victor Hugo, Jorge Fernando Moreira, 16 anos.
Outro colega, Ralf Gonçalves dos Reis, 20 anos, completou: ''num muro de escola tem que ter cerca elétrica? Não era mais fácil colocar os policiais fazendo ronda em volta da escola? Isso que o Victor Hugo nem era de fazer coisa errada''.
A reportagem e a assessoria de comunicação da prefeitura tentaram contato com o ex-diretor da escola, mas ele não foi encontrado. Segundo a secretária da Educação, Carmem Sposti, ele está à disposição da Secretaria de Gestão Pública. Um processo administrativo foi aberto e aguarda investigações da polícia e promotoria para que a Procuradoria do Município possa concluí-lo.
Nascimento e o funcionário público Carlito Norberto Murari, que teria instalado a cerca a mando do então diretor, deverão ser interrogados no inquérito por homicídio culposo (sem intenção de matar), previsto para 4 de setembro, às 13h30. A determinação foi da juíza da 3 Vara Criminal, Oneide Negrão, responsável pelo processo


