Familiares de SP visitam Godoy depois de denúncias de maus-tratos
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terça-feira, 19 de novembro de 1996
Paulo Ubiratan 
Familiares do pioneiro e agropecuarista Olavo Godoy, 84 anos, chegam hoje a Londrina para tomar providências quanto a denúncias de que ele estaria sofrendo maus-tratos dos sobrinhos Álvaro e Josyê Rose Baxhix Godoy. Os familiares moram em Mirandópolis (SP) e foram avisados por funcionários da fazenda Santa Helena, no distrito de Espírito Santo (zona sul). Os dois sobrinhos, atualmente, administram a fazenda de propriedade de Olavo Godoy e foram denunciados ao Ministério Público por nove empregados da propriedade.
No dia 11 de novembro, os promotores Antônio Winkert, Carla Moretto Maccarini e Paulo César Tavares estiveram na fazenda acompanhados de dois médicos e de fiscais do Ministério do Trabalho. Na ocasião, por fora do portão de entrada, conseguiram manter contato com Olavo Godoy. Os sobrinhos não estavam no local.
Hoje, o médico que fez parte da comitiva, Claudiney da Silva Souza, deverá entregar um relatório sobre o estado de saúde do pioneiro. Conforme o que for apurado pelos dois médicos, o Ministério Público poderá solicitar a interdição do agropecuarista, que passaria ser representado legalmente por um procurador. Os médicos apenas conversaram com Olavo Godoy. pois funcionários da fazenda disseram que os sobrinhos não permitiam que pessoas estranhas mantivessem contato com ele. O médico também poderá pedir judicialmente um exame mais minucioso. As denúncias dão conta que Godoy está desnutrido e é constantemente dopado por Josyê e Álvaro.
Na ocasião da visita dos promotores à fazenda, chegou um oficial de Justiça acompanhado de policiais militares para cumprir uma ordem de busca e apreensão expedida pela 2ª Vara Civil, referente a dois veículos de propriedade de Josyê e Álvaro Godoy. Os dois carros serviriam para cobrir ações judiciais de dívidas vencidas do casal.
As denúncias contra os sobrinhos não se resumem apenas de maus tratos contra o tio. Foi aberto inquérito policial para apurar acusações sobre maus-tratos aos funcionários da fazenda Santa Helena, inclusive trabalho escravo. O delegado Edson Casagrande vai presidir as investigações.
Um dos casos que caracterizariam trabalho escravo é o de Airton Machado. A acusação é de que ele estaria impedido de sair da fazenda pelo casal, mesmo depois de ter cumprido aviso prévio. Sob pressão da Justiça o casal Álvaro e Josyê, liberaram o trabalhador no último domingo. Machado diz que não recebeu indenização trabalhista.
Sob segredo do Justiça, está parado no Forum de Londrina um processo de reconhecimento de paternidade contra Olavo Godoy. O rapaz, atualmente, tem 29 anos. A mãe teria recebido um imóvel para que o processo não fosse levado a adiante. Somente com teste de DNA será possível a verificação da paternidade.
A Pastoral da Terra e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Londrina, já no início do ano, havia denunciado irregularidades na Fazenda Santa Helena.
A administradora da fazenda, Josyê Godoy, prometeu para esta semana dar entrevista à imprensa. Ontem, durante a tarde toda, ela foi procurada pela reportagem da Folha. Mas o seu telefone celular estava desligado.


