Familiares de pacientes são alvo de golpistas
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terça-feira, 28 de junho de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
A família de um paciente do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), de Cascavel (Oeste), foi a mais recente vítima da tentativa de golpe que vem sendo aplicada nos hospitais do Estado. Os golpistas entram em contato com os familiares pedindo que seja feito um depósito para liberação de um exame ou compra de um medicamento. Em Londrina, parentes de pacientes do Hospital do Câncer (HC) e clientes da Unimed também foram abordados.
A avó de um menino internado no HUOP desconfiou e procurou a direção do hospital. Os golpistas pediam o pagamento de R$ 1,2 mil para um exame de ultrassonografia que seria realizado em uma clínica particular. "Quando a avó nos procurou, entramos em contato com a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e certificamos para ela que estava tudo bem com o neto, que não fazíamos cobrança de exames e orientamos que fosse feito um boletim de ocorrência", contou Edson Souza, diretor-administrativo do HUOP.
Segundo ele, a família só não perdeu dinheiro porque a mulher ficou desconfiada. "O avô já tinha mandado fazer o depósito", disse Souza. O hospital fez uma campanha de orientação à comunidade para evitar esse tipo de golpe.
De acordo com o delegado Walace de Oliveira Brito, titular da Delegacia de Estelionato de Curitiba, é difícil identificar o autor de um crime desse tipo, pois as quadrilhas utilizam contas de fora do município e em nome de laranja.
A orientação do delegado é desconfiar de qualquer telefonema que peça depósito bancário. "Pedir qualquer benefício para dar contrapartida é fraude. Não é usual os hospitais fazerem isso. Pagamentos são resolvidos na secretaria do hospital", alertou Brito.
Ele também aconselha sempre fazer um boletim de ocorrência, mesmo que a pessoa não tenha sido lesada. Esse boletim vai auxiliar a polícia a fazer a estatística dessas ocorrências. Também é importante anotar o maior número de informações, como o número do telefone e da conta bancária informada. "É um típico golpe por telefone, muitas vezes aplicado de dentro de presídios. Também é um crime a distância", comentou o delegado. A pena pelo crime de estelionato é de um a cinco anos de prisão.
Um trabalho da inteligência da Delegacia de Estelionato mostrou que a maioria das tentativas de golpe são de fora do Estado, utilizando chips do Mato Grosso e Goias. A investigação também apontou que os golpistas se utilizam de informações sobre os hospitais disponíveis na internet, como o nome dos profissionais que integram o corpo clínico.
"As entidades têm que se precaverem. Muitos pseudo parceiros costumam entrar em contato com os hospitais para checar informações dos pacientes, por isso é importante manter um identificador de chamada e desconfiar sempre", disse.


