A família Eid, de Andirá, (37 km a oeste de Jacarezinho), promove amanhã, às 9 horas, uma carreata pelas principais ruas da cidade pedindo ‘‘justiça’’ pelo assassinato do empresário Jamil Nicolau Eid, ex-proprietário do Hotel Tropical. O crime aconteceu no dia 22 de agosto de 97, na porta de um bar, onde o empresário estava com um amigo. Eid levou dois tiros à queima-roupa, um na cabeça.
Segundo o irmão de Jamil, Selen Nicolau Elias Eid, o principal suspeito do crime é o irmão mais velho deles, Willian Nicolau Elias Eid, que durante anos foi sócio de Jamil na exploração de portos de areia no Rio Cinzas. ‘‘Jamil desabafou dias antes de morrer que estava sendo ameaçado de morte por Willian por disputa pela posse dos portos ’’, afirmou Selen.
Ele contou que os dois exploraram vários anos um porto de areia em Guapirama (55 km ao sul de Jacarezinho) e quando a empresa estava prosperando Jamil teria sido retirado do negócio pelo irmão, que registrou a concessão de lavra somente para si. ‘‘Foi então que Jamil decidiu se dedicar à construção do hotel’’, disse Selen.
Passados alguns anos, Jamil percebeu que a licença de exploração de areia estava chegando ao fim e registrou o direito de exploração na Marinha e no Departamento Nacional de Pesquisas Minerais (DNPM), tomando do irmão a concessão de lavra. ‘‘Foi então que começaram as ameaças’’, contou Selen.
Apesar da conclusão do inquérito, a Justiça ainda precisa comprovar definitivamente o crime. ‘‘No início indiciamos um ex-funcionário do hotel, que era testa-de-ferro de Jamil e que na noite anterior ao crime teria cobrado dele uma dívida trabalhista. Foi Wilian que nos trouxe uma testemunha dizendo que viu este ex-funcionário atirando no irmão’’, disse o delegado Nelso Misuta Águila.
Segundo ele, esta testemunha, identificada como Hélio Bento da Luz, foi desmentida pela própria mulher, que ao ser interrogada disse que ele estava em casa no momento do crime. ‘‘Bento então confessou que foi induzido por Wilian a mentir. Wilian foi indiciado por corrupção de testemunhas’’, explicou Águila.
Alguns meses depois, a polícia conseguiu as características do verdadeiro atirador, Celso Batistel, que está preso por tráfico de drogas em Bandeirantes. No dia 1º de setembro, haverá uma acareação no fórum, entre Bento e Wilian. ‘‘Só então é que a Justiça passará para os processos finais’’.

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