Familiares de alguns presos que estão nos distritos policiais de Londrina, aguardando julgamento, estão indignados com a atuação do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Eles acusam os policiais de abuso de poder. Dizem que, nas revistas surpresas, eles destroem pertences dos presos, como tubos de pasta de dente e embalagens de shampoo, despedaçam alimentos e quebram aparelhos de televisão e rádio. Temendo que os parentes presos sofram retaliação, os familiares não quiseram se identificar.
‘‘Tudo que a gente consegue para tornar a vida deles menos difícil dentro da cadeia custa dinheiro e muito sacrifício. Não é justo os policiais fazerem isto. Eles estão presos, já estão pagando pelo que fizeram’’, disse a mãe de um preso. Ela conta que leva comida diariamente para o filho que está preso há mais de uma ano por assalto a banco. ‘‘Violência não vai ajudar a recuperar ninguém. Eles ficam mais revoltados’’, argumenta.
A irmã de um preso, que também preferiu não se identificar, também reclama da situação. ‘‘Até óleo os policiais jogam nas roupas deles. Eles querem humilhar os presos, mostrar que eles é que mandam’’, critica. ‘‘Meu filho ficou sem televisão porque o batalhão de choque carregou o controle. Um colega dele perdeu o rádio. Os policiais quebram tudo’’, afirmou o pai de um detento. Ele disse que não se identifica por medo de prejudicar o filho.
A Folha procurou os presos do 3º Distrito Policial (DP), onde aconteceu uma tentativa de fuga na quarta-feira. O Batalhão de Choque foi chamado e controlou a situação, evitando a fuga. ‘‘Desta vez eles não bateram, mas destruíram tudo’’, afirmou um preso. ‘‘Quando eles vêm no veneno não tem como segurar’’, afirmou outro preso. Segundo o detento, quando há algum motim, o batalhão de choque é mais truculento.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Ademir Costa, garantiu que vai apurar a reclamação dos familiares dos presos. ‘‘Os policiais recebem orientação para respeitar os presos. Sabemos que as famílias se sacrificam para proporcionar um mínimo de conforto para eles’’, disse. Costa se comprometeu também a acompanhar pessoalmente algumas operações do batalhão de choque.
Ele explicou, no entanto, que nem sempre é possível deixar as coisas intactas durante uma vistoria. ‘‘Os policiais têm de rasgar os cartazes presos às paredes para ver se não há lixas atrás. Os potes e frascos também precisam ser esvaziados’’, afirma. Costa esclarece que é comum familiares e amigos dos presos mandarem ‘‘instrumentos’’ para facilitar a fuga, dentro dos alimentos e frascos. A polícia, diz, já encontrou lixas dentro de bananas e até nos rótulos de refrigerantes.

mockup