Família Zanella recebe telefonema com ameaça
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de junho de 1997
Lorena Aubrift Klenk, 
de Curitiba
A família do universitário Rafael Zanella, de 20 anos, assassinado no dia 28 de maio durante uma operação policial no bairro de Santa Felicidade, denunciou ontem que recebeu um telefonema com ameaças, na manhã de domingo. Segundo a mãe do estudante, Elizabetha Zanella, uma voz masculina disse que ela não deveria ter feito isso e que pagaria um preço muito alto por ter contestado a versão inicial da polícia, segundo a qual o rapaz integrava um grupo de traficantes e reagiu à abordagem policial com tiros.
Assustada com o telefonema, Elizabetha procurou ontem a Corregedoria da Polícia Civil e o delegado geral, Artur Braga, que encaminhou o caso para o Grupo Tigre. Estou com a verdade e nenhuma ameaça vai me calar, disse Elizabetha. Abalada com a morte do filho, ela está confortada com a comprovação, através de laudos periciais, de que o estudante foi executado pela polícia. Elizabetha disse que a família chegou a pensar em mudar de Curitiba para outra cidade, mas deixou a idéia de lado. Vamos ficar aqui pelo menos até ver na cadeia os policiais que mataram meu filho, disse. A família já providenciou segurança para os outros dois filhos, de 12 e 14 anos.


