SEM ASSISTÊNCIA Família vive drama com deficiente mental Sem local para ser tratada, portadora de deficiência fica em casa e exige cuidado especial Dorico da SilvaObservada por familiares, Solange tenta agredir a irmã mais nova (sentada no chão), que também é portadora de deficiência mental Telma Elorza De Londrina A dificuldade em conseguir internamento psiquiátrico para a deficiente mental Solange Miranda, 28 anos, virou drama para a família, que reside em uma casa humilde, na Avenida Antônio Capello, no Jardim Maria Lúcia (zona oeste de Londrina). A denúncia foi feita à Folha pela coordenadora da Pastoral da Saúde do Jardim Santa Rita 4, Antônia Didi de Freitas. Segundo Antônia, a família vem enfrentando dificuldades, inclusive financeira, para cuidar de Solange. A moça mora com o pai aposentado e duas irmãs – uma delas, Luiza, também excepcional – além de três crianças. ‘‘O problema é que Solange, nos últimos dois meses, está muito violenta. Ninguém pode descuidar um minuto que ela avança na Luiza e machuca a coitada’’, explica. A coordenadora da Pastoral afirma que a família já tentou de tudo para conseguir ajuda. ‘‘Ela ficou internada três dias no Conviver (Projeto Conviver do Centro de Atendimento Psicossocial/Caps, da Secretaria Municipal de Saúde), mas depois mandaram para casa. Tentaram no Shangri-lá (Vila Normanda/Clínica Psiquiátrica de Londrina) mas não a aceitaram. Já liguei e pedi ajuda para todo mundo, inclusive para a Secretaria de Ação Social. Mandaram procurar a imprensa’’, afirma a líder comunitária. De acordo com Cleuza Miranda, 36 anos, irmã de Solange, para evitar atos violentos a moça está sendo trancada em um quarto. ‘‘Eu morro de dó mas não tenho opção. Se não tranco ela, tenho que trancar a Luiza que fica quietinha onde a gente põe’’, conta. O pai Severino Miranda, 75 anos, não se conforma com a situação da filha e chora ao vê-la investindo contra a irmã. ‘‘Ela sempre foi meio agressiva, mas de uns dois meses para cá ficou muito violenta.’’ Nem as crianças – filha e netos de Cleuza – escapam da violência da tia. Segundo ela, Solange toma três tipos de medicamentos receitados no Caps, todos calmantes. ‘‘Mas não está fazendo efeito. Mandaram a gente levá-la na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), mas nós não temos nem condições. Além de tudo, ela tem problemas nas pernas e não aguenta andar muito. Como vou de ônibus com ela até lá?’’ A família vive com o que Severino Miranda recebe de aposentadoria, cerca de R$ 200,00 por mês, mais o que ele consegue vendendo roupas e uma cesta básica doada pela Pastoral da Saúde, o grupo sobrevive.

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