O anúncio da venda de um centenário banco de igreja nos classificados da Folha, esta semana, despertou a curiosidade de muitos. Quem gostaria de um móvel como esse decorando a sala de sua casa, por exemplo? A mobília imponente, feita em imbuia, com belos detalhes entalhados, ocupava um lugar de destaque numa tradicional boutique da cidade que fechou as portas há poucos meses.
A proprietária, Encarnação Garcia Lopes Canezin, ou dona Nenê, como prefere ser chamada, está se desfazendo do móvel por não ter espaço para ele na casa da família. O banco de mais de 120 anos de idade, como estima, pertencia à igreja Matriz de Araçatuba (SP) e está com a família há 25 anos. Ele não é o único exemplar disponível na cidade. O outro, inclusive, foi trazido por um cunhado de dona Nenê, o radialista Antonio Euclides Sapia, já falecido.
Passando pela cidade paulista, o radialista se deparou com a ''liquidação'' de bancos que acontecia na praça da igreja, depois que os fiéis optaram por móveis lisos e mais confortáveis. O clima romântico que o banco concedeu à casa dos parentes provocou a compra, por telefone, da segunda peça, enviada à cidade através de uma transportadora.
Dona Nenê já recebeu alguns telefonemas de pessoas interessadas no banco de igreja e sugere que, pela imponência, ele seja colocado em um oratório ou em uma capela rural. Preocupada com a conservação do móvel ela já antecipa algumas dicas: ''A limpeza é simples, basta um paninho para tirar a poeira e, de vez em quando, aplicar uma camada de cera'', ensina.
O gosto por antiguidades, segundo dona Nenê, toma conta de toda a família. Na parede da sala da casa que pertencia aos pais, os pioneiros Luiz Henrique Garcia Rodrigues e Maria Dolores Lopes Lopes, ela mantém os registros de nascimento deles. O ambiente é todo decorado com móveis antigos, que além de muito aconchego, despertam a lembrança para muitas histórias de família. Como a mesa para os jogos de baralho que, impecavelmente pronta para a próxima partida, acomoda a bengala de Maria Dolores, como se ela estivesse ali, terminando um carteado, por exemplo.
Além dos móveis antigos, dona Nenê revela que ainda guarda as cartas que os sogros trocavam nos tempos de namoro. ''São do tempo em que farmácia se escrevia com ph'', recorda. Outras peças de família como os vestidos de noiva e alguns sapatos, pela qualidade e atualidade, estão sendo reaproveitados pelas netas. ''Bastam alguns ajuste'', garante.

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